Nem sei bem por que, me lembrei de um
lugar, onde não foi o final.
E nesta lembrança me apareceu
você......
e lembrei de nós.
Veja só, não foi minha culpa, eu tava meio doido, algo assim. Invadi tua vida (juro que foi sem querer), mas não vou te pedir desculpas, você sabe como é difícil pra mim dizer coisas. Só me perdoa por ser um sujeito tão estranho. E e amor é assim mesmo, a gente fica parecendo um ladrão desprezível,
surge do nada e rouba o coração do outro sem nenhuma cerimônia.
Tirei zero em comportamento, acho que
virei um criminoso cruel, esfaqueei você, cortei teu peito ao meio e sem pedir
licença, me alojei dentro dele, bem lá no fundo, daí quando
você se deu conta já estava contaminada, várias chagas se abriram e
nunca, nunca mais cicatrizaram, e você, claro, cruelmente me aprisionou
perpetuamente.
Que menina má você.
Desde então minha cabeça, (que
já não era grande coisa) entrou em parafuso de vez, e assim
está até hoje.
Meu Deus, quanta insensatez a minha
achar que tudo era desespero, urgência, mas você não tinha nenhuma pressa,
achava graça em tudo (eu ficava muito puto com isso), sorria pra mim e ria de
mim o tempo todo e me chamava de bobo: - ”seu bobo”.
Por vezes, me fazia sentir o cara mais
lindo do mundo,
com tanto ciúme.
Que coisa!
Você achava tudo em mim divino,
meus gestos, minhas roupas maltrapilhas, meu riso raro e tímido, minha falta de
perspectiva, meu silêncio ensurdecedor, enfim eu era tudo pra você.
Mas eu era um cara desconfiado demais,
as coisas pareciam não acontecer comigo e de repente com tanta felicidade em
tão pouco tempo, passei a não ligar pra nada,
só pra você e eu.
Éramos só nós e a gente se bastava
tanto que um simples passeio pela rua e já parecia estarmos indo rumo ao
paraíso.
E o adeus seria pior que a morte.
É, mas você se foi, eu fui,
voltamos, tudo estava diferente,
o olhar, aquele sorriso (que sorriso
lindo o teu!)
mas não o amor, amor não muda nunca,
amor é amor, só isso.
Assustei, chorei, choramos, piramos,
terminamos
e a dor foi tanta que se existisse uma
alma e se ela sentisse dor, então minh’alma estava muito perto de
explodir.
...E assim, enfim nos amamos, nossa
paixão não foi provisória, nossa história foi louca e linda e a eternidade foi
o limite.
Mas que bobagem minha recordar isso
tudo.
[autor desconhecido]
Bar
Ilustrada - Campinas anos 1980
Taquaritinga, 2016
Campinas, 25 de abril de 1987

Nenhum comentário:
Postar um comentário