sábado, 3 de fevereiro de 2024

PONTO FINAL

 

 

Nem sei bem por que, me lembrei de um lugar, onde não foi o final.

E nesta lembrança me apareceu você......

e lembrei de nós. 

 

Veja só, não foi minha culpa, eu tava meio doido, algo assim. Invadi tua vida (juro que foi sem querer), mas não vou te pedir desculpas, você sabe como é difícil pra mim dizer coisas. Só me perdoa por ser um sujeito tão estranho. E e amor é assim mesmo, a gente fica parecendo um ladrão desprezível, 

surge do nada e rouba o coração do outro sem nenhuma cerimônia. 

 

Tirei zero em comportamento, acho que virei um criminoso cruel, esfaqueei você, cortei teu peito ao meio e sem pedir licença, me alojei dentro dele, bem lá no fundo, daí quando você se deu conta já estava contaminada, várias chagas se abriram e nunca, nunca mais cicatrizaram, e você, claro, cruelmente me aprisionou perpetuamente. 

Que menina má você.

 

Desde então minha cabeça, (que já não era grande coisa) entrou em parafuso de vez, e assim está até hoje. 

Meu Deus, quanta insensatez a minha achar que tudo era desespero, urgência, mas você não tinha nenhuma pressa, achava graça em tudo (eu ficava muito puto com isso), sorria pra mim e ria de mim o tempo todo e me chamava de bobo: - ”seu bobo”. 

 

Por vezes, me fazia sentir o cara mais lindo do mundo,

com tanto ciúme.

Que coisa! 

 

Você achava tudo em mim divino, meus gestos, minhas roupas maltrapilhas, meu riso raro e tímido, minha falta de perspectiva, meu silêncio ensurdecedor, enfim eu era tudo pra você. 

Mas eu era um cara desconfiado demais, as coisas pareciam não acontecer comigo e de repente com tanta felicidade em tão pouco tempo, passei a não ligar pra nada,

só pra você e eu. 

 

Éramos só nós e a gente se bastava tanto que um simples passeio pela rua e já parecia estarmos indo rumo ao paraíso. 

E o adeus seria pior que a morte. 

  

É, mas você se foi, eu fui, voltamos, tudo estava diferente,

o olhar, aquele sorriso (que sorriso lindo o teu!)

mas não o amor, amor não muda nunca, amor é amor, só isso. 

 

Assustei, chorei, choramos, piramos, terminamos

e a dor foi tanta que se existisse uma alma e se ela sentisse dor, então minh’alma estava muito perto de explodir. 

 

...E assim, enfim nos amamos, nossa paixão não foi provisória, nossa história foi louca e linda e a eternidade foi o limite. 

Mas que bobagem minha recordar isso tudo. 

 

 

[autor desconhecido] 

 

Bar Ilustrada - Campinas anos 1980 


Taquaritinga, 2016

Campinas, 25 de abril de 1987

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