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Desocupado, mal-humorado, vagaroso, entediado, constipado, acabado, mal-amado, indeciso, malcriado, distraído, estereotipado, depressivo, indignado, mentiroso, apressado, amalucado, assustado, frustrado, desafortunado, aviltado, debochado, acamado, injuriado, intruso, desanimado, fútil, inchado e deliberadamente ocioso leitor >--------------
-----> apaga a luz, desliga o liquidificador e liga o ventilador, toma um banho quente bem demorado, assoa o nariz, não olhe no espelho, acenda um incenso de mirra que é bem legal, toma seu xarope e vê se para de tossir, faça um café amargo, lambuze seus cabelos com gel, fica só de bermuda, ajuda sua mulher a pendurar as roupas no varal sem reclamar, liga pro seu amigo e depois quebra o celular, ignore as notícias, faça um lanche de queijo na chapa, dê uma volta com seu fusca, não leia os jornais, dá uma zapeada e depois venda a televisão, veja como anda sua pressão arterial, ouça o canto dos pássaros, tire algumas fotos, abasteça as forminhas de gelo, organize seus livros na estante, abra as janelas, contemple as estrelas, pratique um pouco de inglês (você vai precisar, acredite), recolha as roupas e os calçados espalhados pela casa, faça uma caminhada (mas não me convide), mude os quadros de lugar, regue suas plantas, mude também as plantas de lugar, separa o lixo reciclável, dá aquela mijada aliviante, tome um sorvete de limão, arme a ratoeira, não esqueça de fechar a torneira, tome um analgésico pra amenizar a ressaca, atualize seu pendrive, borrife veneno pra matar as baratas, tente encontrar as chaves que você sempre perde, coloque seu chapéu ou seu boné, arranque os matos do jardim, faça um gargarejo com água e sal, escreva uma poesia (mesmo que fique uma grande porcaria), fale mal do governo seja ele qual for, tome um chá pra curar a azia, termine a palavra cruzada, desarrume as malas da última viagem, concorde com sua esposa ou acredite no seu marido, saia pra passear na chuva, tome um pouco de sol, leia pelo menos um capítulo daquele livro que parece não ter fim, coloque água pros passarinhos, vá até o boteco tomar umas cervejas (aí sim pode me chamar) ajude seu filho a colar as figurinhas no álbum, estuda pro concurso, tome um antiácido, troca o band-aid do seu dedão, faça uma oração, troca a lâmpada queimada, dê umas pedaladas com sua bicicleta, coloca o lixo na rua, verifique, de vez em quando, a água e o óleo do seu carro, vá ao dentista, organize a geladeira, tira a poeira dos móveis, nunca leve serviço pra casa, ofereça uma flor pra sua menina e sussurre no ouvido dela que você a ama, ouça a Cavalgada das Valquírias no volume máximo, assista a alguns episódios de sua série favorita, passa longe da política, pode mentir sim, mas não muito, dedilhe as cordas do seu violão mesmo que você não toque coisa alguma, mude de calçada se vir um desafeto, coloca grampos no grampeador, assista a uma partida de futebol xingando muito o juiz, dá umas voltas pelo Youtube, mas ignore os influenciadores, estude gramática para não fazer feio, chore um pouco, mas ria muito mais, apare seu bigode, não esqueça de marcar sua consulta, livre-se desse mau humor, corte as unhas, senta na varanda pra ver o movimento, passe um pouco de perfume, não acredite em quaisquer notícias, elas podem ser falsas, tome suas vacinas, assista a um filme trash, avisa seu chefe que não irá trabalhar amanhã, faça uma salada com ovos cozidos, tomates, cebola, sardinha e um bom azeite, leia sempre para não ser enganado nunca, fale mal de alguém, mas só de leve, pregue o botão na sua camisa, coloque uma música com som de água pra meditar, vá a um museu, passe esmalte nas unhas (das mãos e dos pés), saboreie uma bela porção de torresmo com cachaça, ouça atentamente o que sua filha tem pra te contar, deixa pra lavar a louça depois, de vez em quando prefira o silêncio, tome seu comprimido pra pressão, evite as pessoas chatas, se exercite um pouco (mas só um pouquinho), desvie os pensamentos, solta um palavrão, fique descalço, apare suas cutículas, faça uma tatuagem, alimente seu animal, passa um pouco de creme hidratante pra aliviar a secura, recite uma frase de um escritor maldito qualquer (sugiro o velho Buck), continue a maratona d’O Poderoso Chefão’, frita uns ovos, tome uma coca–cola bem gelada só para arrotar, convide uns colegas (mas só os "gente boa") pro churrasco, dá um banho naquele seu carrinho velho, às vezes se isole de todo mundo, desvia seus pensamentos, tome uma taça de vinho, retoque o esmalte das unhas, acenda um palheiro de qualidade ordinária e solta uma baforada, dê outro beijo no seu amor, senta no sofá, numa cadeira ou no chão mesmo, acenda outro incenso de erva doce, que também é muito bom, relaxa e leia minhas coisas.
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vai começar o estrago...
O SALVE!
Letras,
palavras, frases e textos escarrados, berrados, arrotados e vomitados por mim,
como (im)prováveis respostas à hipocrisia impregnada no mundo, a
bundamolice que paira nas cabeças desses bostas, pela filhadaputice que assola
os céus desse nosso país tropical desde Cabral, um soco bem dado no estômago da
sociedade podre, um tapa na cara dos cidadãos de merda com cabeça de papel e um
chute no saco desses nojentos que acham que qualquer queijo é deles.
Um salve
pros meus (pouquíssimos) amigos e vida eterna aos cretinos atemporais por
excelência, em especial a Noé, (sim, aquele mesmo da Arca) que começou essa
merda toda, a Charles Bukowski, velho safado, maldito, desgraçado, filho da
puta, que nasceu, viveu e morreu honrando sua liberdade e cretinice, pro Woody
Allen, que me mostrou o mundo do cinema inteligente e sarcástico, a Bob Dylan,
meu eterno e único mestre, poeta e cantador que, assim como Woody Guthrie,
usa sua guitarra pra exterminar fascistas, a Jack Kerouak, o rei das estradas,
das drogas e do jazz, ao Kafka que colocou o ser humano no seu devido lugar,
J.D. Salinger, o apanhador que viveu sabiamente recluso quase toda sua vida,
Plínio Marcos, o menestrel marginal e maldito que andou perdido com sua navalha
pelas noites sujas, ao poetinha que cantou o amor como ninguém, e pr’aqueles
meus amigos cretinos incorrigíveis (eles sabem). E, claro, especialmente à
minha menina linda Siomara, minha Mara, que atura com paciência sob medida a
minha chatice desmedida e ainda lê com prazer os escritos acidamente
indecorosos que cometo.
Escrevo por
diversão, mas também por indignação e emputecimento em um país onde não faltam
assuntos nem motivos. Escritos que, tenho certeza, muitas pessoas gostariam de
berrar por aí.
Você, nobre
caminhante dessa terra sem mãe que é biltre, parvo, obtuso,
alienado, apatetado, ignorante, medíocre e boçal, não precisa e nem deve ler
essas coisas, pois não vai entender porcaria nenhuma mesmo, afinal quem não
sabe usar as palavras com rigor, não sabe pensar.
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Altair
José Joaquim da Silva (Altair José), filho do Zé Corinthians e da
Ninha, dei as caras nessa terra desvairada no dia 20 de janeiro de 1961 às 4h20
na simpática cidade dos pescadores (adoro peixe, mas detesto pescaria) de
Castilho/SP, bem no limite pantaneiro, nas fronteiras com Mato Grosso do Sul.
Nos idos de 2009 ou 2010, é claro que ninguém sabe com certeza, eu, Altair José, os cretinos Gustavo Miau, Eder Moutin e o quse terráqueo Estevão, fundamos (sem querer) no boteco da esquina de um certo Bonazzi, camaradinha alheio, a entidade cretinesca “Os Cretinos” que passeiam por estes meus rabiscos e um pouco mais adiante, junto com o Gustavo Miau e o também cretino Gustavo Troiano, idealizamos o que chamamos de reduto cibigibiano atemporal, sazonal, astral e contemporâneo da cretinice, o bar-rock “Esquina do Rock” naquela mesma esquina de Taquaritinga, cidadezinha conservadora encravada entre o mar e o deserto pendendo para o lado direito, espaço que tinha como proprietário o Sérgio, sujeito legalzinho que fingia não ver nosso ‘estrago’. O lugar era frequentado pelas mais diversificadas mentes, umas ácidas, outras avoadas, muitas barulhentas, algumas restritas, mas a coisa borbulhava, ouvíamos nossa música, que você, com certeza, só ouviria por ali, customizamos o lugar com temas interessantíssimos, nosso guru era o incontestável, inexorável, inacreditável, incorrigível e cretino máximo Charles Bukowski. Nossa sociedade purista é lógico que não tinha bons olhos pro nosso reduto, mas a gente nem ligava e isso não nos incomodava nem um pouco, não mesmo, a hipocrisia e muito menos a soberba não teve lugar ali, que se danem, éramos apenas apreciadores das artes, da boa amizade e, claro, da boa música, do bom e velho
ROCK ‘N’ ROLL ♫♪♫♪♫♪♫♪
Salve, Serginho!!!
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