segunda-feira, 27 de julho de 2026

PUSERAM ÁCIDO NO MEU LEITE


                              


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crônicas

 bubônicas

 napoleônicas


mazelas

sequelas

magrelas


 rimas

 prismas

 sofismas

 

ensaios

 soslaios

 balaios


heresias

manias

patifarias

 

dissertações

 dissecações

 deportações

 

edemas

 poemas

 dilemas

 

pancadas

 mascadas

 malcriadas

 

ceticismos

 cataclismos

 dadaísmos


sideral

espacial

orbital

 

contos

 desencontros

 contrapontos


provocações

 colocações

 prevaricações


sandices

 chatices

 cretinices

    


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 O CONVITE


Desocupado, mal-humorado, vagaroso, entediado, constipado, acabado, mal-amado, indeciso, malcriado, distraído, estereotipado, depressivo, indignado, mentiroso, apressado, amalucado, assustado, frustrado, desafortunado, aviltado, debochado, acamado, injuriado, intruso, desanimado, fútil, inchado e deliberadamente ocioso leitor >--------------

-----> apaga a luz, desliga o liquidificador e liga o ventilador, toma um banho quente bem demorado, assoa o nariz, não olhe no espelho, acenda um incenso de mirra que é bem legal, toma seu xarope e vê se para de tossir, faça um café amargo, lambuze seus cabelos com gel, fica só de bermuda, ajuda sua mulher a pendurar as roupas no varal sem reclamar, liga pro seu amigo e depois quebra o celular, ignore as notícias, faça um lanche de queijo na chapa, dê uma volta com seu fusca, não leia os jornais, dá uma zapeada e depois venda a televisão, veja como anda sua pressão arterial, ouça o canto dos pássaros, tire algumas fotos, abasteça as forminhas de gelo, organize seus livros na estante, abra as janelas, contemple as estrelas, pratique um pouco de inglês (você vai precisar, acredite), recolha as roupas e os calçados espalhados pela casa, faça uma caminhada (mas não me convide), mude os quadros de lugar, regue suas plantas, mude também as plantas de lugar, separa o lixo reciclável, dá aquela mijada aliviante, tome um sorvete de limão, arme a ratoeira, não esqueça de fechar a torneira, tome um analgésico pra amenizar a ressaca, atualize seu pendrive, borrife veneno pra matar as baratas, tente encontrar as chaves que você sempre perde, coloque seu chapéu ou seu boné, arranque os matos do jardim, faça um gargarejo com água e sal, escreva uma poesia (mesmo que fique uma grande porcaria), fale mal do governo seja ele qual for, tome um chá pra curar a azia, termine a palavra cruzada, desarrume as malas da última viagem, concorde com sua esposa ou acredite no seu marido, saia pra passear na chuva, tome um pouco de sol, leia pelo menos um capítulo daquele livro que parece não ter fim, coloque água pros passarinhos, vá até o boteco tomar umas cervejas (aí sim pode me chamar) ajude seu filho a colar as figurinhas no álbum, estuda pro concurso, tome um antiácido, troca o band-aid do seu dedão, faça uma oração, troca a lâmpada queimada, dê umas pedaladas com sua bicicleta, coloca o lixo na rua, verifique, de vez em quando, a água e o óleo do seu carro, vá ao dentista, organize a geladeira, tira a poeira dos móveis, nunca leve serviço pra casa, ofereça uma flor pra sua menina e sussurre no ouvido dela que você a ama, ouça a Cavalgada das Valquírias no volume máximo, assista a alguns episódios de sua série favorita, passa longe da política, pode mentir sim, mas não muito, dedilhe as cordas do seu violão mesmo que você não toque coisa alguma, mude de calçada se vir um desafeto, coloca grampos no grampeador, assista a uma partida de futebol xingando muito o juiz, dá umas voltas pelo Youtube, mas ignore os influenciadores, estude gramática para não fazer feio, chore um pouco, mas ria muito mais, apare seu bigode, não esqueça de marcar sua consulta, livre-se desse mau humor, corte as unhas, senta na varanda pra ver o movimento, passe um pouco de perfume, não acredite em quaisquer notícias, elas podem ser falsas, tome suas vacinas, assista a um filme trash, avisa seu chefe que não irá trabalhar amanhã, faça uma salada com ovos cozidos, tomates, cebola, sardinha e um bom azeite, leia sempre para não ser enganado nunca, fale mal de alguém, mas só de leve, pregue o botão na sua camisa, coloque uma música com som de água pra meditar, vá a um museu, passe esmalte nas unhas (das mãos e dos pés), saboreie uma bela porção de torresmo com cachaça, ouça atentamente o que sua filha tem pra te contar, deixa pra lavar a louça depois, de vez em quando prefira o silêncio, tome seu comprimido pra pressão, evite as pessoas chatas, se exercite um pouco (mas só um pouquinho), desvie os pensamentos, solta um palavrão, fique descalço, apare suas cutículas, faça uma tatuagem, alimente seu animal, passa um pouco de creme hidratante pra aliviar a secura, recite uma frase de um escritor maldito qualquer (sugiro o velho Buck), continue a maratona d’O Poderoso Chefão’, frita uns ovos, tome uma coca–cola bem gelada só para arrotar, convide uns colegas (mas só os "gente boa") pro churrasco, dá um banho naquele seu carrinho velho, às vezes se isole de todo mundo, desvia seus pensamentos, tome uma taça de vinho, retoque o esmalte das unhas, acenda um palheiro de qualidade ordinária e solta uma baforada, dê outro beijo no seu amor, senta no sofá, numa cadeira ou no chão mesmo, acenda outro incenso de erva doce, que também é muito bom, relaxa e leia minhas coisas.

  

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vai começar o estrago...

 

 

O SALVE!  

Letras, palavras, frases e textos escarrados, berrados, arrotados e vomitados por mim, como (im)prováveis respostas à hipocrisia impregnada no mundo, a bundamolice que paira nas cabeças desses bostas, pela filhadaputice que assola os céus desse nosso país tropical desde Cabral, um soco bem dado no estômago da sociedade podre, um tapa na cara dos cidadãos de merda com cabeça de papel e um chute no saco desses nojentos que acham que qualquer queijo é deles.

Um salve pros meus (pouquíssimos) amigos e vida eterna aos cretinos atemporais por excelência, em especial a Noé, (sim, aquele mesmo da Arca) que começou essa merda toda, a Charles Bukowski, velho safado, maldito, desgraçado, filho da puta, que nasceu, viveu e morreu honrando sua liberdade e cretinice, pro Woody Allen, que me mostrou o mundo do cinema inteligente e sarcástico, a Bob Dylan, meu eterno e único mestre, poeta e cantador que, assim como Woody Guthrie, usa sua guitarra pra exterminar fascistas, a Jack Kerouak, o rei das estradas, das drogas e do jazz, ao Kafka que colocou o ser humano no seu devido lugar, J.D. Salinger, o apanhador que viveu sabiamente recluso quase toda sua vida, Plínio Marcos, o menestrel marginal e maldito que andou perdido com sua navalha pelas noites sujas, ao poetinha que cantou o amor como ninguém, e pr’aqueles meus amigos cretinos incorrigíveis (eles sabem). E, claro, especialmente à minha menina linda Siomara, minha Mara, que atura com paciência sob medida a minha chatice desmedida e ainda lê com prazer os escritos acidamente indecorosos que cometo.

Escrevo por diversão, mas também por indignação e emputecimento em um país onde não faltam assuntos nem motivos. Escritos que, tenho certeza, muitas pessoas gostariam de berrar por aí.

Você, nobre caminhante dessa terra sem mãe que é biltre, parvo, obtuso, alienado, apatetado, ignorante, medíocre e boçal, não precisa e nem deve ler essas coisas, pois não vai entender porcaria nenhuma mesmo, afinal quem não sabe usar as palavras com rigor, não sabe pensar.

        

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 A SAGA

Altair José Joaquim da Silva (Altair José), filho do Zé Corinthians e da Ninha, dei as caras nessa terra desvairada no dia 20 de janeiro de 1961 às 4h20 na simpática cidade dos pescadores (adoro peixe, mas detesto pescaria) de Castilho/SP, bem no limite pantaneiro, nas fronteiras com Mato Grosso do Sul.

Nos idos de 2009 ou 2010, é claro que ninguém sabe com certeza, eu, Altair José, os cretinos Gustavo Miau, Eder Moutin e o quse terráqueo Estevão, fundamos (sem querer) no boteco da esquina de um certo Bonazzi, camaradinha alheio, a entidade cretinesca “Os Cretinos” que passeiam por estes meus rabiscos e um pouco mais adiante, junto com o Gustavo Miau e o também cretino Gustavo Troiano, idealizamos o que chamamos de reduto cibigibiano atemporal, sazonal, astral e contemporâneo da cretinice, o bar-rock “Esquina do Rock” naquela mesma esquina de Taquaritinga, cidadezinha conservadora encravada entre o mar e o deserto pendendo para o lado direito, espaço que tinha como proprietário o Sérgio, sujeito legalzinho que fingia não ver nosso ‘estrago’. O lugar era frequentado pelas mais diversificadas mentes, umas ácidas, outras avoadas, muitas barulhentas, algumas restritas, mas a coisa borbulhava, ouvíamos  nossa música, que você, com certeza, só ouviria por ali, customizamos o lugar com temas interessantíssimos, nosso guru era o incontestável, inexorável, inacreditável, incorrigível e cretino máximo Charles Bukowski. Nossa sociedade purista é lógico que não tinha  bons olhos pro nosso reduto, mas a gente nem ligava e isso não nos incomodava nem um pouco, não mesmo, a hipocrisia e muito menos a soberba não teve lugar ali, que se danem, éramos apenas apreciadores das artes, da boa amizade e, claro, da boa música, do bom e velho  

                             ROCK ‘N’ ROLL   

Salve, Serginho!!!


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SE A LIÇÃO É DE ESCULACHO, SAI DE BAIXO QUE SOMOS PROFESSORES



Aquela coisa de ‘Gentileza gera gentileza’ é pura balela, não passa de uma frase de efeito bonitinha, poderia fazer algum sentido, seria bastante simples se houvesse essa generozidade, respeito, mas as gentilezas estão em desuso há tempos. Somos individualistas, solitários e egoístas. Não nos importamos se um simples gesto muda tudo, isso é improvável, é coisa de 'gente fraca', ninguém liga se você é idoso, gestante, tem limitaições ou apenas precisa de ajuda. 

Nossas cidades estão desestruturadas em todas as áreas, na contramão dos muitos impostos,  os estacionamentos nas vias públicas, por exemplo, para essas pessoas com necessidades especiais são poucos, distantes dos destinos, com tempo de permanência curto e raramente estão livres. As vias das cidades parecem um campo minado com crateras por toda parte destruindo seu carro.

A administração pública está se lixando para seus cidadãos, só precisam mesmo de seus votos, e estou falando de uma maneira geral, os cidadãos, em sua ingenuidade catalizada, ainda acreditam que esse ou aquele político se importa com eles. Mas o privilégio das beocidades  não fica apenas com eles, os cidadãos e as cidadãs parecem não precisarem de ninguém, eles se bastam, não respeitam nada nem ninguém, parecem viver em um mundo exclusivo, sem regras nem leis.

segunda-feira, 13 de julho de 2026

PALAVRAS, PALAVRAS

Não sou um maldito misantropo, mas, convenhamos, nosso amado Brasil está cada dia mais idiota. Gente burra se achando esperta demais. Para ser mais emblemático, claro, excetuando-se as raríssimas postagens que valem a pena, vou me ater às redes sociais cujo papel é, ou deveria ser, bem diferente disso que estamos assistindo, um amontoado de lixo, um fétido esgoto a céu aberto. As pessoas estão se manifestando da forma mais cretina possível, postagens repetitivas, ofensas descabidas e desnecessárias, discursos rasos e vazios, ausência total de bom senso, frases medonhas, palavreado chulo. Pessoas debatendo e brigando com pessoas que estão no mesmo barco (furado e à deriva) quando a inteligência diz que deveriam estar unidas por um bem comum e isso é o pior cenário que espelha um futuro um pouco melhor para um país. São politicamente analfabetos e marrentos de nascimento, acreditam estar levando qualquer vantagem, ou vantagem em tudo, mas, na verdade, estão atirando no próprio pé, na própria cabeça. São indivíduos de várias gerações (de A à Z), das mais diversificadas tradições, etnias e culturas. 

PUSERAM ÁCIDO NO MEU LEITE

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