Ouvimos do
Ipiranga ou do Brás ou da Papuda ou de Bangu ou de qualquer lugar que
Deus é brasileiro e está morto ou está vivo, tanto faz. Nas
margens plácidas desovam-se corpos sem importância na mais pálida
semblante naturalidade enquanto na retumbância de um povo que deveria ser
heroico, mas que nem brado é, de súbito gritou a liberdade que iluminou o céu
dia desses uma tocha cegante explodiu nas maravilhas da nação com as
paisagens contrastantes com barracos pendurados encravados nos morros fazendo
fundos com as mansões suntuosas, são os herdeiros do caos onde muitos
raios fúlgidos brilharam no mesmo instante em que assistimos atônitos nossa
história virar cinzas, aquela liberdade que havíamos conquistado no seio da
nossa pátria tão idolatrada com fortes braços que até as mortes foram
desafiadas nas vãs ilusões da união de todos, e aquele sonho intenso
se dissipou como um raio vívido e o amor e a esperança se perderam naquele céu
formoso desenhando o cruzeiro mais que resplandecente, e então não se falou mais
nisso. Talvez nem tenhamos a noção exata do que acontece no cotidiano da
devassidão na vastidão país afora que desafia em nosso peito anunciando a
própria morte em mares de lama, seja no sentido figurado ou enlameado das
gerais e as marianas desvalidas pelos nocivos senhores das cias. Cantamos
com todos os pulmões que somos gigantes pela própria natureza com um futuro
espelhado em grandezas impávidas e colossais. Se nossa terra é assim tão
adorada pelos filhos deste solo entre tantas mil, olhai então por nós que a
coisa está chegando a um nível absurdo com tanta pequenice. Gritaram uma
vez e continuam berrando ‘acorda Brasil’, mas o que fazer se estamos deitados
eternamente em berço esplêndido distraídos ouvindo apenas o som do mar e
admirando esse céu tão azul e profundo como no sono eterno do mendigo errante,
desgraçado, maltratado e maltrapilho? Masoquismo é coisa de doido e
ser achincalhado, roubado, extorquido, surrupiado, humilhado, desdenhado e
condenado eternamente não parece estar nos planos de pessoas que prezam pela
honra, pela ordem e muito menos pelo progresso. Vimos que jamais seus filhos
fugirão da luta. Então, meus caros brasileiros e brasileiras, o que
está acontecendo com vocês, perderam o bonde da esperança? Na
primavera absurda o Brasil fulgura no florão de uma América invisível e quase
desimportante. Dessa terra garrida com lindos campos com flores, bosques e no
seio de amores estamos há muito mostrando ao mundo uma imagem tosca e
inerte, é certo que somos terceiro mundo, mas podemos idolatrar nossa
pátria amada sem remorso, culpa ou vergonha, então, acreditemos em um amor
eterno simbolizando o lábaro ainda estrelado na sustentação da honra e do
patriotismo, balancemos nossa bandeira que há alguns dias vestiu de ódio
alguns cidadãos alheios e na inversão dos valores daqueles lá é a flâmula com
as cores da paz e do futuro que espelha toda essa grandeza, apesar da torcida
contra ser imensa. Na composição de outrora, a nobre pena discorreu que entre
outras mil a Terra é adorada, então por que
será que “jogamos a toalha” ou algo assim? Os irmãos estão
ora malhando, ora louvando seu maior representante por quatro ou ainda oito
anos no revezamento da torcida numa atitude grosseira e nada
inteligente. E ainda tentamos conquistar com braços fortes a liberdade,
só que parece estarmos constantemente sob efeito de algum psicotrópico
alucinógeno fortíssimo remetendo a retardamentos mentais por condição, rimos
sem motivo e aplaudimos espetáculos de terror, chutamos latas nas madrugadas
só pra variar. Uma afronta! Se és belo, és forte, impávido
colosso, então porque deixas ser monopolizado pela singularidade de um país
estreitamente limitado em várias questões onde uma facção minúscula comanda uma
mega quantidade de eventos com mais de duzentos milhões de espectadores
atordoados que passeiam por lindos bosques e campos com flores ou sem flores,
os políticos-bandidos se revezam no quartel-general do horror, conduta comum em
um mundo tão globalizado onde numa Terra com risonhos campos se aceita todo
esse circo medonho com a naturalidade alheia de um réptil, mesmo sabendo que
não haverá escolha, liberdade, nem amores no teu seio sem a opção para
erguer a clava forte da justiça, pois fomos lobotomizados para nos condicionar
e não termos mesmo escolha e assim nem dá pra saber quem é o
mais despatriotado nessa história toda. Parece não ter jeito, é uma
sensação de ilusão vagueante com atitudes desentendidas.
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