sexta-feira, 2 de fevereiro de 2024

PÁTRIA AMADA QUE NOS PARIU


 

Ouvimos do Ipiranga ou do Brás ou da Papuda ou de Bangu ou de qualquer lugar que Deus é brasileiro e está morto ou está vivo, tanto faz. Nas margens plácidas desovam-se corpos sem importância na mais pálida semblante naturalidade enquanto na retumbância de um povo que deveria ser heroico, mas que nem brado é, de súbito gritou a liberdade que iluminou o céu dia desses uma tocha cegante explodiu nas maravilhas da nação com as paisagens contrastantes com barracos pendurados encravados nos morros fazendo fundos com as mansões suntuosas, são os herdeiros do caos onde muitos raios fúlgidos brilharam no mesmo instante em que assistimos atônitos nossa história virar cinzas, aquela liberdade que havíamos conquistado no seio da nossa pátria tão idolatrada com fortes braços que até as mortes foram desafiadas nas vãs ilusões da união de todos, e aquele sonho intenso se dissipou como um raio vívido e o amor e a esperança se perderam naquele céu formoso desenhando o cruzeiro mais que resplandecente, e então não se falou mais nisso. Talvez nem tenhamos a noção exata do que acontece no cotidiano da devassidão na vastidão país afora que desafia em nosso peito anunciando a própria morte em mares de lama, seja  no sentido figurado ou enlameado das gerais e as marianas desvalidas pelos nocivos senhores das cias. Cantamos com todos os pulmões que somos gigantes pela própria natureza com um futuro espelhado em grandezas impávidas e colossais. Se nossa terra é assim tão adorada pelos filhos deste solo entre tantas mil, olhai então por nós que a coisa está chegando a um nível absurdo com tanta pequenice. Gritaram uma vez e continuam berrando ‘acorda Brasil’, mas o que fazer se estamos deitados eternamente em berço esplêndido distraídos ouvindo apenas o som do mar e admirando esse céu tão azul e profundo como no sono eterno do mendigo errante, desgraçado, maltratado e maltrapilho? Masoquismo é coisa de doido e ser achincalhado, roubado, extorquido, surrupiado, humilhado, desdenhado e condenado eternamente não parece estar nos planos de pessoas que prezam pela honra, pela ordem e muito menos pelo progresso. Vimos que jamais seus filhos fugirão da luta. Então, meus caros brasileiros e brasileiras, o que está acontecendo com vocês, perderam o bonde da esperança? Na primavera absurda o Brasil fulgura no florão de uma América invisível e quase desimportante. Dessa terra garrida com lindos campos com flores, bosques e no seio de amores estamos há muito mostrando ao mundo uma imagem tosca e inerte, é certo que somos terceiro mundo, mas podemos idolatrar nossa pátria amada sem remorso, culpa ou vergonha, então, acreditemos em um amor eterno simbolizando o lábaro ainda estrelado na sustentação da honra e do patriotismo, balancemos nossa bandeira que há alguns dias vestiu de ódio alguns cidadãos alheios e na inversão dos valores daqueles lá é a flâmula com as cores da paz e do futuro que espelha toda essa grandeza, apesar da torcida contra ser imensa. Na composição de outrora, a nobre pena discorreu que entre outras mil a Terra é adorada, então por que será que “jogamos a toalha” ou algo assim? Os irmãos estão ora malhando, ora louvando seu maior representante por quatro ou ainda oito anos no revezamento da torcida numa atitude grosseira e nada inteligente. E ainda tentamos conquistar com braços fortes a liberdade, só que parece estarmos constantemente sob efeito de algum psicotrópico alucinógeno fortíssimo remetendo a retardamentos mentais por condição, rimos sem motivo e aplaudimos espetáculos de terror, chutamos latas nas madrugadas só pra variar. Uma afronta! Se és belo, és forte, impávido colosso, então porque deixas ser monopolizado pela singularidade de um país estreitamente limitado em várias questões onde uma facção minúscula comanda uma mega quantidade de eventos com mais de duzentos milhões de espectadores atordoados que passeiam por lindos bosques e campos com flores ou sem flores, os políticos-bandidos se revezam no quartel-general do horror, conduta comum em um mundo tão globalizado onde numa Terra com risonhos campos se aceita todo esse circo medonho com a naturalidade alheia de um réptil, mesmo sabendo que não haverá escolha, liberdade, nem amores no teu seio sem a opção para erguer a clava forte da justiça, pois fomos lobotomizados para nos condicionar e não termos mesmo escolha e assim nem dá pra saber quem é o mais despatriotado nessa história toda. Parece não ter jeito, é uma sensação de ilusão vagueante com atitudes desentendidas.

Se nem consigueremos reverenciar o clamor da ópera trágica que montamos e apresentamos com nenhuma emoção, vamos então refletir no resumo dessa crônica lírica quase plagiada e fora de contexto: se a mãe é gentil e somos filhos deste solo, vamos continuar sonhando e tentar conjugar juntos o verbo ‘acreditar’ no presente do indicativo e quem sabe nesse sonho intenso, num raio vívido de amor e de esperança consigamos até despertar nossa Pátria Amada Idolatrada. Salve! Salve!

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