Felizes cidadão e cidadã , vão visitar
o Brasil? Eis o cartão de visitas:
Não
gostamos de usar as setas dos nossos veículos, é que andaram espalhando por aí
que são apenas acessórios e que poderão nos causar sérias lesões, nas cidades
menores a coisa fica ainda pior, como todo mundo se conhece, tem-se a impressão
de que já sabem quem vai virar onde e quando irão parar, mesmo que seja no meio
da rua. Estacionamos nossos carros ou motos muito errado ocupando duas ou três
vagas, talvez com receio de não conseguir manobrar o veículo, não assimilamos
muito bem as orientações nas autoescolas, aliás, escolas sempre foram grandes
problemas para nós brasileiros. Não respeitamos pedestres (faixas de pedestres
são só riscos pintados no asfalto), não raro esses pobres diabos são
atropelados até nas calçadas, um transtorno, e pra piorar, em uma hipocrisia
monumental com uma mentalização de um camelo é claro que daremos a preferência
aos outros veículos mas nunca aos pedestres. E os ciclistas? Esses estão sempre
no nosso caminho nos atrapalhando, mesmo estando nas raríssimas ciclovias,
dizem que são vulneráveis. E daí? As tais rampas implantadas para facilitar o
acesso àquelas pessoas com dificuldades de mobilização e ou locomoção não faz a
menor diferença para nós, já que as vagas para carros são disputadas a tapas, e
você sabe né, é só uma paradinha rapidinha. Nos distraímos dirigindo falando ao
celular, mas veja, nossas conversas são prioridade sempre, não podemos deixar
de atender nosso chefe, nossos filhos e muito menos nossas esposas, preferimos
evitar problemas e somos ótimos motoristas, conseguimos facilmente dirigir e
telefonar ou enviar mensagens, e às vezes até tomando uma cerveja, somos muito
fodas. Acreditamos que nas rotatórias a preferência é sempre nossa, é
um círculo interminável, sendo assim, logicamente preferencial. Dirigimos no
meio da via ignorando que existem duas ou mais faixas, mesmo que desenhado, ora
bolas, nem teríamos esse discernimento, é um espaço geométrico quadrado,
retangular, redondo ou linear, e na chamada mão inglesa, esquerda ou direita,
tanto faz. Obstruímos estacionamentos com cones, caixas e outros adereços na
ilusão que somos os donos da rua. Não temos paciência para esperar o semáforo
digital chegar no 'verde', demorado demais, então arrancamos nosso veículo
no ‘vermelho' mesmo, afinal o que são 3 ou 4 segundos? Nossa cultura não
evoluiu e não nos ensinou que devemos ler os manuais, qualquer um, todos eles,
muito menos os de trânsito. E, parceiro, não se esqueça de abastecer regiamente
sua carteira ou seu cartão, afinal temos combustíveis de altíssima qualidade,
pois são os mais caros de todo o mundo.
Talvez essa
patifaria toda seja o reflexo do histórico dessa cultura superficial que nosso
país se tornou ao longo de sua trajetória deliberadamente mesquinha e egoísta
com a sensação de uma terra com um monte de lei, mas que não se cumpre nenhuma.
É o banquete dos mendigos aloprados. Então, meu caro
turista-motorista-malabarista que estará a passeio por aqui, redobre sua
atenção e "volte sempre".
'E
pr’aquele que provar que eu estou mentindo eu tiro o meu chapéu.'
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