Todo ano passamos batidos por cima do dia 22 de abril. Há tempos nosso Brasil está diferente, estranho, com pessoas estranhas, gente esquisita.
Era aquela como a importante data do ‘achamento’ da então paradisíaca Ilha de Vera Cruz que nem sabemos ao certo quem chegou por aqui primeiro, se os portugas Pedro Álvares Cabral, Bartolomeu Dias, Duarte Pacheco Pereira ou o espanhol Vicente Yáñes Pinzón. Temos também duas datas para o avistamento da costa que ocorreu nas imediações do Monte Pascoal (O Monte Pascoal é uma imponente elevação de 536 metros no sul da Bahia, famosa por ser o primeiro ponto de terra avistado no ano de 1500. Situado em Porto Seguro, dentro de um Parque Nacional de 22 mil hectares, o local oferece trilhas guiadas por indígenas Pataxó, Mata Atlântica preservada e conexão histórica.) sendo a nova terra denominada inicialmente Ilha de Vera Cruz e, posteriormente, Terra de Santa Cruz. A data tradicional de 22 de abril de 1500, baseia-se na ‘Carta de Pero Vaz de Caminha’, quando prevalecia o ‘Calendário Juliano’ (O Calendário Juliano foi um sistema solar instituído pelo líder militar e político romano Júlio César em 46 a.C., entrando em vigor em 45 a.C. elaborado com o astrônomo Sosígenes de Alexandria para substituir o calendário romano lunar) e corresponde a 3 de maio de 1500 no ‘Calendário Gregoriano’ (O calendário Gregoriano é o sistema de contagem de tempo solar mais utilizado no mundo atualmente, incluindo o Brasil, introduzido em 1582 pelo Papa Gregório XIII para substituir o calendário Juliano. Ele organiza o ano em 365 dias (ou 366 em anos bissextos) e foi criado para corrigir defasagens astronômicas). Resumindo: nem sabemos quem nos achou nem quando.
O que fazer se nem festejos temos quando sequer feriado é e de quebra ninguém liga nem lembra, apenas sabe-se que às vezes poderá ser feriadão nas emendadas com o dia anterior do inconfidente e quase meu homônimo Joaquim José da Silva Xavier, também conhecido por Tiradentes, era o ‘Alferes dos Dragões’, que também poucos sabem da sua importância e sua história e que o infeliz passou a vida carregando seu algoz traidor Joaquim Silvério dos Reis em suas sombras.
Vamos voltar alguns anos pra refrescar nossa historicamente curta e ácida memória para lembrar a data fatídica da inacreditável reunião desse mesmo dia 22 de abri. O ano era 2020. Em um contexto pavoroso a narrativa parecia sair de uma latrina transbordante e imunda. Nos apresentaram um vídeo (guardado a sete chaves) com o título de "Reunião ministerial", mas quando deveríamos nos orgulhar ficamos perplexos, ao menos uma parte sensata dos brasileiros, a outra parcela vive no mesmo mundo paralelo até hoje, como se fossem cegos, surdos e mudos. Naquelas mesas circundando a sala que de tão escusa não se podia acreditar donde brotaram aqueles semblantes sórdidos na nudez daquela já citada tão esperada divulgação de uma reunião da malandragem quando em pouco menos de duas horas onde nunca se viu tanto cafajeste e tanta cafajestagem amontoados, era a juntada do cadafalso imaginário do inferno com a regência de um caricato e nada carismático mestre fajuto de cerimonias que em um revés conspiratório de mãos dadas com uma corja inominável se revezava nas blasfêmias cuja bola da vez eram os deboches, os desdéns, muitos palavrões (estima-se ao menos 43), citações bizarras e as ofensas metralhando ataques berrantes às instituições e a desconstrução monumental da constituinte com personagens que deveriam representar a pátria, foi um autêntico show de horrores que explicitou a servidão ao fascismo brando levando à perplexidade mundial e tão somente a confirmação doméstica anunciando o intermezzo de uma era ainda mais sombria com o totalitarismo intestinal mostrando as caras pelas ruas e nas plataformas governamentais e digitais que mais que se concretiza e cresce como capim. A deterioração da república nunca foi tão evidente, senhores da alta cúpula governamental nocivos à nação usando a bandeira do Brasil (um dos símbolos nacionais brasileiros, ao lado do Laço Nacional, do Selo Nacional, do Brasão de Armas e do Hino Nacional) como camuflagem do terror, as tão louvadas forças armadas sendo ridicularizadas por membros irresponsáveis, o tal comandante-mor desfigurando todas as normas e regras democráticas, ministro da educação que chamou o escritor Kafka de cafta mandando recado aos magistrados chamando-os de vagabundos, o ‘responsável’ pelo sofrido meio-ambiente em uma atitude horrenda soltando de sua boca encardida ‘…e ir passando a boiada’, mais deprimente impossível, e também um tal senhor das trevas que se dizia genial e trucidou as economias do país esbravejando patifarias pelas ventas e que imediatamente após a derrota nas urnas se safou para as ilhas paradisíacas dos offshores. Para aquela quadrilha inominável a carta magna não passa de um livro e que ignoram seu conteúdo, pois jamais o abriram de verdade.
Passado algum tempo, nada aconteceu e sabemos que nada acontecerá, somos passivos, fazemos passeatas e carreatas prós e contras e nem sabemos para quê, por que, nem para quem, gritamos por justiça, por uma liberdade virtual que nem a metafísica explica, berramos por melhores condições de vida, mas na conivência do caos instituído observemos que muitos desses senhores continuam passeando alegremente com seus cargos pelos corredores de Brasília, são os mentores da sessão da barbárie que foram amplamente votados em todas eleições se elegendo senadores, deputados e governadores. Com atitudes como essa, talvez tenhamos mesmo a sensibilidade de um liquidificador quebrado.
O que essa gente fez e o que está fazendo com o Brasil não tem explicação: 'seus calhordas, respeitem nosso país, aqui não é vossa casa, aqui não é um bordel, nossa pátria não está à venda, devolvam nossa bandeira, e, se puder, desapareçam, mas não voltem!'
Brasil, 22 de abril (?)
Altair José
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