sexta-feira, 2 de fevereiro de 2024

O BRASIL DESCARRILOU (COMO UMA TRAGÉDIA ANUNCIADA)

 

 

 “A corrupção dos governantes quase sempre começa com a corrupção dos seus princípios.” Barão de Montesquieu

 

O povo é, quase sempre, o espelho de quem o governa. Somos filhos de uma civilização decadente onde convivemos com pessoas que estão se lixando para as consequências de seus atos boçais, tanto no âmbito político como enquanto cidadãos ditos comuns, isso acontece devido à sensação de impunidade que assola a nação onde não há sombras de punição. Bizarrices como ingerir desmedidamente bebidas alcoólicas nas ruas, atirar coisas pelas janelas dos carros com muita naturalidade, dirigir em alta velocidade em plena via urbana e não raro com celulares em punho, não sinalizando nunca (é a redundância necessária). Motoristas ironicamente dando preferência a outros automóveis, mas nunca a pedestres à sua frente, seja nas faixas ou fora delas, parecendo não os enxergar, carros estacionados espertamente em vagas reservadas a idosos, deficientes ou com necessidades especiais e farmácias, pais parando seus carrões em fila dupla com o pisca ligado (como se isso lhes desse o direto de burlar a lei) ou na contramão para pegar seus rebentos, vejam só, nas escolas, buzinas ecoam por todos os cantos em horários e locais impróprios desrespeitando qualquer tipo de lei. Acidentes terríveis a todo momento envolvendo motoristas embriagados e sem nenhum arrependimento ou receio das autoridades, afinal o que vale a vida senão alguns trocados que eles preferem chamar de “fiança”? Vandalismos e quebra-quebra em meio a manifestações legítimas, policiais despreparados, truculentos e sem nenhum escrúpulo, falta de educação sem precedentes, ônibus sendo incendiados à revelia, bloqueio de vias públicas por manifestações ou atos públicos (é notório que qualquer tipo de manifestação é um direito, mas o direito de ir e vir é supremo), crianças cometendo atrocidades rindo e zombando das autoridades, sabedores de sua impunidade enquanto na condição de menores de idade, a implosão de responsabilidades transformando o país em um cenário horroroso como se fosse uma terra de ninguém. E nossos inteligentíssimos governantes, como de costume, tomando medidas descabidas e sem nenhum propósito. Bradam com muitos pulmões a toda hora: “não temos recursos para nada”. Mentira! Temos recursos sim, aos montes, o que não temos é vergonha nem honestidade, é só olhar nosso famigerado impostômetro e constatar as estratosféricas cifras arrecadadas ao longo dos anos e as denúncias citadas em investigações infindáveis de monumentais roubalheiras cometidas pelos nossos governantes. Como uma doença incurável, vemos essa corja de políticos vagabundos, corruptos e vigaristas que usa essa montanha de dinheiro arrancada dos cidadãos em forma de impostos e tributos em benefício próprio. Lembrando ainda uma série de “elefantes brancos”, obras intermináveis, sem necessidade, inacabadas e de contabilidade nebulosa, levantadas pelo país afora. E a copa do mundo de 2014, arenas que viraram e virarão picadeiros para espetáculos de onde se apresentam atores e palhaços de mentirinha mascarados de santos e assistidos por plateias de milhões de cidadãos que riem da própria miséria e desgraça tal qual um bando de apalermados que nos fazem acreditar que somos.

E a coisa parece não ter fim, com o evento das Olimpíadas no Rio de Janeiro, “Rio 2016”, onde foram maquiados todos os seus problemas, entupiram suas ruas com policiais armados até os dentes, exército de prontidão, para mostrar ao mundo o quanto somos competentes na questão organizacional com caminhões de dinheiro público descendo pelos ralos e o Rio de Janeiro continua lindo aos olhos do mundo e claro, o diagnóstico não poderia ser outro, denúncias de propinas na escolha da sede e um Estado quebrado à beira do caos, a violência urbana em níveis absurdos e uma enxurrada de políticos sujos sendo presos. Mas a culpa é nossa também.

Só para lembrar: esbravejamos contra governos por causa de enchentes, deslizamentos, ruas esburacadas, porém, quem entope de lixo e entulho as vias públicas ou destrói patrimônios e muitas outras coisas mais, somos nós mesmos, ou seja, atiramos no nosso próprio pé. A locomotiva está fora dos trilhos, a chaga está aberta e gangrenando, o circo de horrores foi armado, o espetáculo é deprimente, o ingresso é muito caro e não aceitam devolução. 

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