“A corrupção dos governantes
quase sempre começa com a corrupção dos seus princípios.” Barão de Montesquieu
O povo é, quase sempre, o espelho
de quem o governa. Somos filhos de uma civilização decadente onde convivemos
com pessoas que estão se lixando para as consequências de seus atos boçais,
tanto no âmbito político como enquanto cidadãos ditos comuns, isso
acontece devido à sensação de impunidade que assola a nação onde não
há sombras de punição. Bizarrices como ingerir desmedidamente bebidas
alcoólicas nas ruas, atirar coisas pelas janelas dos carros com muita
naturalidade, dirigir em alta velocidade em plena via urbana e não raro com
celulares em punho, não sinalizando nunca (é a redundância necessária).
Motoristas ironicamente dando preferência a outros automóveis, mas nunca a
pedestres à sua frente, seja nas faixas ou fora delas, parecendo não
os enxergar, carros estacionados espertamente em vagas reservadas a idosos,
deficientes ou com necessidades especiais e farmácias, pais parando seus
carrões em fila dupla com o pisca ligado (como se isso lhes desse o direto de
burlar a lei) ou na contramão para pegar seus rebentos, vejam só, nas escolas,
buzinas ecoam por todos os cantos em horários e locais impróprios
desrespeitando qualquer tipo de lei. Acidentes terríveis a todo momento
envolvendo motoristas embriagados e sem nenhum arrependimento ou receio das
autoridades, afinal o que vale a vida senão alguns trocados que eles preferem
chamar de “fiança”? Vandalismos e quebra-quebra em meio a manifestações legítimas,
policiais despreparados, truculentos e sem nenhum escrúpulo, falta de educação
sem precedentes, ônibus sendo incendiados à revelia, bloqueio de
vias públicas por manifestações ou atos públicos (é notório que qualquer
tipo de manifestação é um direito, mas o direito de ir e
vir é supremo), crianças cometendo atrocidades rindo e zombando das
autoridades, sabedores de sua impunidade enquanto na condição de menores de
idade, a implosão de responsabilidades transformando o país em um cenário
horroroso como se fosse uma terra de ninguém. E nossos inteligentíssimos
governantes, como de costume, tomando medidas descabidas e sem nenhum
propósito. Bradam com muitos pulmões a toda hora: “não temos recursos para
nada”. Mentira! Temos recursos sim, aos montes, o que não
temos é vergonha nem honestidade, é só olhar nosso
famigerado impostômetro e constatar as estratosféricas cifras arrecadadas ao
longo dos anos e as denúncias citadas em investigações infindáveis de
monumentais roubalheiras cometidas pelos nossos governantes. Como uma doença
incurável, vemos essa corja de políticos vagabundos, corruptos e vigaristas que
usa essa montanha de dinheiro arrancada dos cidadãos em forma de impostos e
tributos em benefício próprio. Lembrando ainda uma série de “elefantes
brancos”, obras intermináveis, sem necessidade, inacabadas e de contabilidade
nebulosa, levantadas pelo país afora. E a copa do mundo de 2014, arenas que
viraram e virarão picadeiros para espetáculos de onde se apresentam atores e
palhaços de mentirinha mascarados de santos e assistidos por plateias de
milhões de cidadãos que riem da própria miséria e desgraça tal qual um bando de
apalermados que nos fazem acreditar que somos.
E a coisa parece não ter fim, com o
evento das Olimpíadas no Rio de Janeiro, “Rio 2016”, onde foram maquiados
todos os seus problemas, entupiram suas ruas com policiais armados até os
dentes, exército de prontidão, para mostrar ao mundo o quanto somos competentes
na questão organizacional com caminhões de dinheiro público descendo pelos
ralos e o Rio de Janeiro continua lindo aos olhos do mundo e claro, o
diagnóstico não poderia ser outro, denúncias de propinas na escolha da sede e
um Estado quebrado à beira do caos, a violência urbana em níveis
absurdos e uma enxurrada de políticos sujos sendo presos. Mas a
culpa é nossa também.
Só para lembrar: esbravejamos
contra governos por causa de enchentes, deslizamentos, ruas esburacadas, porém,
quem entope de lixo e entulho as vias públicas ou destrói patrimônios e muitas
outras coisas mais, somos nós mesmos, ou seja, atiramos no nosso próprio pé. A
locomotiva está fora dos trilhos, a chaga está aberta e gangrenando,
o circo de horrores foi armado, o espetáculo é deprimente, o
ingresso é muito caro e não aceitam devolução.
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