sexta-feira, 2 de fevereiro de 2024

ILEGAL, IMORAL OU ENGORDA


 

Nosso planeta nunca esteve tão chato. Há muito anda infestado com sordidez por todos os cantos, céus, mares e montanhas, bestas e aberrações, políticos malandros mais que manchados, assassinos sanguinários na mais pura liberdade, canalhas e calhordas aos montes, aproveitadores sem nenhum escrúpulo, oportunistas ocasionais e sazonais, pessoas, muitas delas numa boçalidade incrível, gente abestalhada ateando fogo nas verdes matas por pura diversão, a estupidez assumiu de vez as rédeas, é a dona do mundo. Houve uma época, muitos devem se lembrar, pois não faz tanto tempo assim, que essa coisa tão na moda o tal ‘politicamente correto’, aliás, esse termo nem existia, era outra coisa e muito diferente dessa tolice que contaminou a humanidade nos tempos de hoje. Veja só, parece que nada pode, tudo ou é ilegal, ou é imoral, ou engorda. A maioria das pessoas fumava e nem por isso o cidadão ao lado se contaminava ou se tornava um viciado (atente para a frase, nem por isso sou a favor da cultura tabagista); dirigiam-se os carros de uma maneira civilizada onde os pedestres, ciclistas e motoqueiros eram respeitados e os acidentes eram raros e esporádicos e não tão violentos como se tornou corriqueiro hoje; o respeito ao próximo era evidente sem olhar a classe social, etnia, sua orientação sexual e muito menos a cor de sua pele, que ridículo tudo isso; as crianças ‘se misturavam‘ sem nenhum problema, corriam pra lá e pra cá descalças, sem camisa, apenas de short e chegavam em casa cobertas de terra e raramente adoeciam, era a molecada, a gurizada e a cena de hoje se vê cada menino ou menina com seu celular em punho e os pais num cuidado exacerbado e qualquer mudança do clima a coisa azeda pra eles. E essa coisa de bullying já existia, sempre existiu, mas claro que com outros nomes, e a maioria tirava ‘de letra’, nem estou dizendo aqui que isso seja uma coisa tolerável, mas é que hoje em dia, qualquer coisa que saia um mínimo do que se resolveu chamar de ‘normal’ já vira um alarde sem precedentes, não se fala noutra coisa por dias a fio. Ninguém ficava cuidando da vida alheia como se vê, para depois denunciá-la e ou processá-la; as pessoas não se ofendiam apenas por ter suas ideias contraditas ou contestadas. Há o uníssono das latições dos cães a qualquer hora do dia ou da noite, eles latem na insensatez de não saber falar misturado com a idiotia de seus donos que acham que toda essa perturbação é normal, e ai daquele que reclamar, melhor não. Caminhava-se pelas ruas a qualquer hora do dia ou da noite sem a menor preocupação e as casas praticamente não tinham chaves ao passo que hoje isso é impensável e nossos lares se tornaram nossas prisões e ainda assim corremos sempre o risco de sermos invadidos por demônios travestidos de gente. É o fim das eras, do bom senso e da tolerância ao lado das barbáries contemporâneas. Deixa pra lá, melhor que não sofrer.

É, esse nosso mundo de meu Deus anda muito, MUITO CHATO mesmo. Não se engane, não é saudosismo, é só uma reflexão sobre o momento desse nosso contemporâneo que vivemos. E, claro, muitos torcerão o nariz com esse meu texto. Paciência, não tenho mesmo a pretensão de agradar a ninguém.

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