Nosso
planeta nunca esteve tão chato. Há muito anda infestado com sordidez por
todos os cantos, céus, mares e montanhas, bestas e aberrações, políticos
malandros mais que manchados, assassinos sanguinários na mais pura liberdade,
canalhas e calhordas aos montes, aproveitadores sem nenhum escrúpulo,
oportunistas ocasionais e sazonais, pessoas, muitas delas numa boçalidade
incrível, gente abestalhada ateando fogo nas verdes matas por pura diversão, a
estupidez assumiu de vez as rédeas, é a dona do mundo. Houve
uma época, muitos devem se lembrar, pois não faz tanto tempo assim, que
essa coisa tão na moda o tal ‘politicamente correto’, aliás, esse termo
nem existia, era outra coisa e muito diferente dessa tolice que contaminou a
humanidade nos tempos de hoje. Veja só, parece que nada pode, tudo
ou é ilegal, ou é imoral, ou engorda. A maioria das pessoas
fumava e nem por isso o cidadão ao lado se contaminava ou se tornava um viciado
(atente para a frase, nem por isso sou a favor da cultura tabagista);
dirigiam-se os carros de uma maneira civilizada onde os pedestres, ciclistas e
motoqueiros eram respeitados e os acidentes eram raros e esporádicos e não tão
violentos como se tornou corriqueiro hoje; o respeito ao próximo era evidente
sem olhar a classe social, etnia, sua orientação sexual e muito menos a cor de
sua pele, que ridículo tudo isso; as crianças ‘se misturavam‘ sem
nenhum problema, corriam pra lá e pra cá descalças, sem camisa,
apenas de short e chegavam em casa cobertas de terra e raramente adoeciam, era a
molecada, a gurizada e a cena de hoje se vê cada menino ou menina com seu
celular em punho e os pais num cuidado exacerbado e qualquer mudança do clima a
coisa azeda pra eles. E essa coisa de bullying já existia,
sempre existiu, mas claro que com outros nomes, e a maioria tirava ‘de
letra’, nem estou dizendo aqui que isso seja uma coisa tolerável,
mas é que hoje em dia, qualquer coisa que saia um mínimo do que se
resolveu chamar de ‘normal’ já vira um alarde sem precedentes, não se
fala noutra coisa por dias a fio. Ninguém ficava cuidando da vida alheia como
se vê, para depois denunciá-la e ou processá-la; as pessoas não se ofendiam
apenas por ter suas ideias contraditas ou contestadas. Há o uníssono das
latições dos cães a qualquer hora do dia ou da noite, eles latem na insensatez
de não saber falar misturado com a idiotia de seus donos que acham que toda
essa perturbação é normal, e ai daquele que reclamar, melhor não. Caminhava-se
pelas ruas a qualquer hora do dia ou da noite sem a menor preocupação e as
casas praticamente não tinham chaves ao passo que hoje
isso é impensável e nossos lares se tornaram nossas prisões e ainda
assim corremos sempre o risco de sermos invadidos por demônios travestidos de gente. É
o fim das eras, do bom senso e da tolerância ao lado das barbáries
contemporâneas. Deixa pra lá, melhor que não sofrer.
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