sexta-feira, 2 de fevereiro de 2024

EITA MUNDO BOM DE ACABAR!

 

 

Levou-me o dinheiro, a má fortuna,

Ficamos sem tostão, real nem branca,

macutas, correão, nevelão, molhos:

Ninguém vê, ninguém fala, nem impugna,

E é que quem o dinheiro nos arranca,

Nos arrancam as mãos, a língua, os olhos.” 

 

Boca do inferno, o poeta desbocado, debochado e maldito Gregório de Matos lá pelos acontecimentos literários de 1600 com sua poesia ‘pornográfica’ esculhambava a Igreja, os padres, as freiras e a cidade de Salvador na Bahia; guardadas as proporções intelectuais quilométricas dos nossos dias, muita gente faz a mesma coisa em outras esferas e outras plagas, ninguém está nem aí pra tal etiqueta, comportamentos esdrúxulos e de péssimo gosto, nosso planeta está se transformando em um amontoado de lixo orgânico, inorgânico e humano, é fato que em breve ficará inabitável, as verdes florestas estão pintadas de cinza, os rios cristalinos transformam-se rapidamente em imagens turvas, o dia vira noite de tão escuro onde o ar está pesado de poluição, mares azuis se transformando em tanques de piche, animais sendo sumariamente extintos, seres tão desprezíveis com atitudes desmedidas e sem qualquer noção, falam-se asneiras com bocarras a céu aberto, pessoas são massacradas verbalmente com nenhuma chance de reação ou defesa, cidadão desnorteado malhador de governantes no revés da lucidez praticando a mesma corrupção a todo momento. Verdugos urbanos dirigindo suas máquinas da morte por aí afora como se fosse uma metralhadora cuspindo balaços por todas as direções e se achando o máximo com uma atitude tão grotesca quanto irresponsável.

Cuidado! No carro da frente, do nada alguém pode atirar algum objeto pela janela sem nenhuma cerimônia, porcarias aparentemente inofensivas, mas que podem assustá-lo e causar um acidente do mesmo modo que o imbecil que praticou a malfadada atitude estará pouco se lixando pelas consequências de sua irresponsabilidade. Idosos errantes recolhendo latas e garrafas pelas ruas para sobreviver em vez de estarem em casa brincando com seus netos e bisnetos por conta de uma previdência corroída pela corrupção ao longo dos anos, a culpa é minha, é sua, é nossa e é daquele lá.

Então, pagaremos uma conta que jamais terá um fim. Seu colega de trabalho, na primeira oportunidade, te fará réu do acaso quando lhe for favorável e conveniente, procure não lhe dar a chance, pois ele vai agarrá-la com sua vida e ‘você’, tanto faz ou tanto fez, então, apenas seja um colega de trabalho no trabalho e só, pegue seu dinheiro e vá pra casa, meu caro bípede mortal. As pessoas estão aplaudindo qualquer coisa, talvez apenas pra contrariar o outro que não compartilha da mesma cena, mesmo que estejam sendo esfoladas, engrupidas e esfaceladas. É o triste cenário do mundo contemporâneo conectado vinte e quatro horas por dia em um amontoado de tecnologia a serviço do nada, de nada e pra nada, pois a grande maioria se quer faz ideia do que está fazendo e pra que serve tanta parafernália. É a liquidez humana numa manifestação desesperada.

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