O magistral
John Kenneth Galbraith, em sua obra “A era da incerteza”, dizia, com razão, que
para ser relevante o economista precisa levar em conta a questão do poder, não
sendo possível isolar a análise e discussão dos grandes temas econômicos do que
se passa no mundo da política e dos conflitos de interesse. Os responsáveis
pelas economias mundo afora passaram bem longe desse livro fantástico e por
aqui então, a anos-luz. É evidente que vivemos a era da incerteza, da
intolerância, da corrupção, da impunidade, da insegurança, da desobediência, da
hipocrisia, do egoísmo; poucos praticam o bem onde Deus não passa de uma nota
de 100.
O chapadaço
ebuliente e delirante Charles Bukowski em muitas de suas reflexões sobre a vida
e o ser humano disse que falta imaginação à maioria das pessoas
supostamente valentes. É como se não pudessem conceber o que
aconteceria se alguma coisa saísse mal. Os verdadeiros valentes vencem a sua
imaginação e fazem o que devem fazer. Nesse mundo carrasco passamos longe
disso, os valentes e os covardes estão no mesmo barco, não significam nada e
nem irão a lugar algum, são apenas seres inertes presos em suas ignorâncias. ]
O extraterrestre Erich Von Däniken, em uma de suas muitas viagens
literárias, questionou que desde tempos imemoriais a curiosidade e a sede do
saber sempre constituíram forças capazes de estimular o homem a viver em
permanente pesquisa. As duas perguntas “Por que ocorre
algo?” e “Como ocorre?” Em todos os tempos foram propulsoras da
evolução e do progresso. Há tempos estamos agonizando sem saber as
respostas, perambulamos de séculos em séculos acumulando homens idiotas que
trabalham contra a humanidade.
O mitológico José Saramago certa vez disse que dentro de nós
há uma coisa que não tem nome, essa coisa é o que somos;
gostar é provavelmente a melhor maneira de ter, ter deve ser a pior
maneira de gostar. Nessa nossa era contemporânea, esse emaranhado entre o ter e
o gostar não representa nada, a individualidade é soberana, o ser
humano parece não gostar do mundo como foi feito e está arrumando um jeito
de pôr um fim em tudo, e parece estar conseguindoO século XX foi um período de
grandes mudanças, com isso, o construtor-mental
Eric
Hobsbawn, com sua Era dos Extremos, constatou que aquele século foi breve e
extremado: sua história e suas possibilidades edificaram-se sobre
catástrofes, incertezas e crises, decompondo o construído no longo século XIX.
Porém, o desafio não é tanto falar das perplexidades de hoje, mas
mergulhar nos acontecimentos, ações e decisões, um mundo onde passado e futuro
parecem estar seccionados do presente. A memória é a vida,
sempre carregada por grupos vivos e, nesse sentido, está em permanente
evolução. Esse legado do século passado parece não ter surtido efeito algum,
apenas mudam os números, as datas e os dias nada mais são que um após o outro e
a humanidade caminha assim.
O profeta
incendiário Ray Bradbury, argumenta: então, vê agora por que os livros são
tão odiados e temidos? Eles mostram os poros no rosto da vida. As pessoas
acomodadas só querem rostos de cera, sem poros, sem pelos, sem expressão.
Livros são a ameaça do mundo contemporâneo, saca-se a arma da ignorância quando
alguém ousa abrir um livro, por aqui a coisa é ainda mais grave, o
ataque às intelectualidades é gritante, pessoas sem qualquer ação
inteligente se postam nos poderes supérfluos da imbecilidade e pior, uma
multidão comunga da mesma ladainha, parece estarmos perto do fim de qualquer
esperança, é a utopia travestida de distopia.
O orbital Carl Sagan disse que a história está repleta de pessoas
que, como resultado do medo, ou por ignorância, ou por cobiça de poder,
destruíram conhecimentos de imensurável valor que, em verdade, pertenciam a
todos nós. Nós não deveríamos deixar isso acontecer de novo, mas
não é o que estamos vendo.
Na mente borbulhante de Jorge Luis Borges, a democracia é um
erro estatístico, porque na democracia decide a maioria e a
maioria é formada de imbecis. As
ditaduras fomentam a opressão, as ditaduras fomentam o servilismo, as ditaduras
fomentam a crueldade, mas o mais abominável é que elas fomentam a
idiotia, e essa coisa toda está impregnada nas mentes corrosivas dos
líderes soltos pelo mundo, nunca se viu tanta irresponsabilidade, tanta
barbárie, tanta insanidade, o mundo é feito de eras e elas, as eras,
como num circulo vicioso, se repetem sempre e geralmente carregadas de maldade
e isso com relação não só aos lideres, mas toda a sociedade com suas intolerâncias
maquiadas.
Na cabeça
pensante de Zygmunt Bauman brotaram perolas que sugeriam que na era da informação, a
invisibilidade é equivalente à morte e a paixão por se
fazer notar é um exemplo importante, talvez o mais gritante dos
nossos tempos, nos quais a versão atualizada do cogito (penso) de Descartes
seria: 'Sou visto (observado, notado, registrado), logo existo', vivemos tempos
líquidos, tudo é descartável, nada é para
durar. É só olhar agora mesmo à sua volta ou pelas
redes sociais e veja o que encontrará.
O cerebral Albert Einstein reflete que o ser humano vivencia a si mesmo,
seus pensamentos como algo separado do resto do universo - numa espécie de
ilusão de ótica de sua consciência. E essa ilusão é uma espécie
de prisão que nos restringe a nossos desejos pessoais, conceitos e ao afeto por
pessoas mais próximas. Nossa principal tarefa é a de nos livrarmos
dessa prisão, ampliando o nosso círculo de compaixão, para que ele abranja
todos os seres vivos e toda a natureza em sua beleza. Ninguém
conseguirá alcançar completamente esse objetivo, mas lutar pela sua
realização já é por si só parte de nossa liberação e o alicerce
de nossa segurança interior. A imaginação é mais importante que o
conhecimento, porque o conhecimento é limitado, ao passo que a
imaginação abrange o mundo inteiro. Vivemos uma era em devaneios, seres que
apenas ocupam um lugar por aqui e que nem sabem a razão disso, portanto, para
eles tanto faz, nem ligam e nem fazem questão de pesar essas possibilidades de
uma nave sem rumo.
E eu aqui,
Altair José, na minha mais despretensiosa e humilde homenagem a esses
visionários fico catapultando palavras e letras tentando montar esse
quebra-cabeças com talvez um pouco de senso e nexo, posso roubar suas ideias,
mas não farei isso, apenas me apropriarei de algumas citações suas para assim
ir costurando essa colcha de retalhos repleta de frases, crônicas, ensaios,
poesias, muita acidez e quase nenhuma lucidez. Um salve a todos esses gênios
abilolados de todos os tempos e eras.
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