sexta-feira, 2 de fevereiro de 2024

ERAS ERAM ERAS

 

 

O magistral John Kenneth Galbraith, em sua obra “A era da incerteza”, dizia, com razão, que para ser relevante o economista precisa levar em conta a questão do poder, não sendo possível isolar a análise e discussão dos grandes temas econômicos do que se passa no mundo da política e dos conflitos de interesse. Os responsáveis pelas economias mundo afora passaram bem longe desse livro fantástico e por aqui então, a anos-luz. É evidente que vivemos a era da incerteza, da intolerância, da corrupção, da impunidade, da insegurança, da desobediência, da hipocrisia, do egoísmo; poucos praticam o bem onde Deus não passa de uma nota de 100. 

 

O chapadaço ebuliente e delirante Charles Bukowski em muitas de suas reflexões sobre a vida e o ser humano disse que falta imaginação à maioria das pessoas supostamente valentes. É como se não pudessem conceber o que aconteceria se alguma coisa saísse mal. Os verdadeiros valentes vencem a sua imaginação e fazem o que devem fazer. Nesse mundo carrasco passamos longe disso, os valentes e os covardes estão no mesmo barco, não significam nada e nem irão a lugar algum, são apenas seres inertes presos em suas ignorâncias. ]

 

O extraterrestre Erich Von Däniken, em uma de suas muitas viagens literárias, questionou que desde tempos imemoriais a curiosidade e a sede do saber sempre constituíram forças capazes de estimular o homem a viver em permanente pesquisa. As duas perguntas “Por que ocorre algo?” e “Como ocorre?” Em todos os tempos foram propulsoras da evolução e do progresso. Há tempos estamos agonizando sem saber as respostas, perambulamos de séculos em séculos acumulando homens idiotas que trabalham contra a humanidade. 

 

O mitológico José Saramago certa vez disse que dentro de nós há uma coisa que não tem nome, essa coisa é o que somos; gostar é provavelmente a melhor maneira de ter, ter deve ser a pior maneira de gostar. Nessa nossa era contemporânea, esse emaranhado entre o ter e o gostar não representa nada, a individualidade é soberana, o ser humano parece não gostar do mundo como foi feito e está arrumando um jeito de pôr um fim em tudo, e parece estar conseguindoO século XX foi um período de grandes mudanças, com isso, o construtor-mental

 

Eric Hobsbawn, com sua Era dos Extremos, constatou que aquele século foi breve e extremado: sua história e suas possibilidades edificaram-se sobre catástrofes, incertezas e crises, decompondo o construído no longo século XIX. Porém, o desafio não é tanto falar das perplexidades de hoje, mas mergulhar nos acontecimentos, ações e decisões, um mundo onde passado e futuro parecem estar seccionados do presente. A memória é a vida, sempre carregada por grupos vivos e, nesse sentido, está em permanente evolução. Esse legado do século passado parece não ter surtido efeito algum, apenas mudam os números, as datas e os dias nada mais são que um após o outro e a humanidade caminha assim. 

 

O profeta incendiário Ray Bradbury, argumenta: então, vê agora por que os livros são tão odiados e temidos? Eles mostram os poros no rosto da vida. As pessoas acomodadas só querem rostos de cera, sem poros, sem pelos, sem expressão. Livros são a ameaça do mundo contemporâneo, saca-se a arma da ignorância quando alguém ousa abrir um livro, por aqui a coisa é ainda mais grave, o ataque às intelectualidades é gritante, pessoas sem qualquer ação inteligente se postam nos poderes supérfluos da imbecilidade e pior, uma multidão comunga da mesma ladainha, parece estarmos perto do fim de qualquer esperança, é a utopia travestida de distopia.

 

O orbital Carl Sagan disse que a história está repleta de pessoas que, como resultado do medo, ou por ignorância, ou por cobiça de poder, destruíram conhecimentos de imensurável valor que, em verdade, pertenciam a todos nós. Nós não deveríamos deixar isso acontecer de novo, mas não é o que estamos vendo. 

 

Na mente borbulhante de Jorge Luis Borges, a democracia é um erro estatístico, porque na democracia decide a maioria e a maioria é formada de imbecis. As ditaduras fomentam a opressão, as ditaduras fomentam o servilismo, as ditaduras fomentam a crueldade, mas o mais abominável é que elas fomentam a idiotia, e essa coisa toda está impregnada nas mentes corrosivas dos líderes soltos pelo mundo, nunca se viu tanta irresponsabilidade, tanta barbárie, tanta insanidade, o mundo é feito de eras e elas, as eras, como num circulo vicioso, se repetem sempre e geralmente carregadas de maldade e isso com relação não só aos lideres, mas toda a sociedade com suas intolerâncias maquiadas. 

 

Na cabeça pensante de Zygmunt Bauman brotaram perolas que sugeriam que na era da informação, a invisibilidade é equivalente à morte e a paixão por se fazer notar é um exemplo importante, talvez o mais gritante dos nossos tempos, nos quais a versão atualizada do cogito (penso) de Descartes seria: 'Sou visto (observado, notado, registrado), logo existo', vivemos tempos líquidos, tudo é descartável, nada é para durar. É só olhar agora mesmo à sua volta ou pelas redes sociais e veja o que encontrará. 

 

O cerebral Albert Einstein reflete que o ser humano vivencia a si mesmo, seus pensamentos como algo separado do resto do universo - numa espécie de ilusão de ótica de sua consciência. E essa ilusão é uma espécie de prisão que nos restringe a nossos desejos pessoais, conceitos e ao afeto por pessoas mais próximas. Nossa principal tarefa é a de nos livrarmos dessa prisão, ampliando o nosso círculo de compaixão, para que ele abranja todos os seres vivos e toda a natureza em sua beleza. Ninguém conseguirá alcançar completamente esse objetivo, mas lutar pela sua realização já é por si só parte de nossa liberação e o alicerce de nossa segurança interior. A imaginação é mais importante que o conhecimento, porque o conhecimento é limitado, ao passo que a imaginação abrange o mundo inteiro. Vivemos uma era em devaneios, seres que apenas ocupam um lugar por aqui e que nem sabem a razão disso, portanto, para eles tanto faz, nem ligam e nem fazem questão de pesar essas possibilidades de uma nave sem rumo. 

 

E eu aqui, Altair José, na minha mais despretensiosa e humilde homenagem a esses visionários fico catapultando palavras e letras tentando montar esse quebra-cabeças com talvez um pouco de senso e nexo, posso roubar suas ideias, mas não farei isso, apenas me apropriarei de algumas citações suas para assim ir costurando essa colcha de retalhos repleta de frases, crônicas, ensaios, poesias, muita acidez e quase nenhuma lucidez. Um salve a todos esses gênios abilolados de todos os tempos e eras.

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