sábado, 3 de fevereiro de 2024

DISRITMIA (viva a sociedade primitiva)


Para começar esse meu
amalucado poema
brejeiro 
viva o povo 
brasileiro.

Viva o povo brasileiro,

e não quero que você comigo fique
chateado,
mas parece que do seu país já ter se
enjoado.

viva o povo brasileiro,
tanto faz se casado, viúvo ou 
solteiro,
onde de mãos dadas 
vamos todos cantar
juntos,
pra homenagear essa gente que de tão lesada sequer tem quaisquer 
assuntos.

Viva o povo brasileiro,
que feito um ordinário 
grileiro 
descaradamente abocanhou 
como um larápio 
aventureiro 
uma terra que nem era 
sua,
chutando os verdadeiros donos 
lá pro olho da 
rua;

viva o povo brasileiro,
que acredita que quem achou seu país 
foi o desorientado e 
se iludindo achando que nos livros a História contada é 
real;

viva o povo brasileiro,
que defende com unhas e dentes seus políticos como se fosse seu
parceiro,
mas esses dementes mal 
sabem que estão no meio de um imenso e imundo
pardieiro;

viva o povo brasileiro,
que como gladiadores retardados brigam pela esquerda e pela 
direita,
mas no final das contas 
todos perdem 
sucumbindo de virose, dengue ou de
maleita;

viva o povo brasileiro,
que de tão idiota usa de qualquer jeito a bandeira 
brasileira
achando que se trata de 
uma sem graça
brincadeira;

viva o povo brasileiro,
que pensa estar bailando 
em um lindo primeiro 
mundo,
mas não consegue enxergar 
que se afunda cada
vez mais em um triste e pobre 
submundo;

viva o povo brasileiro,
que do dia pra noite transformou um ignóbil ser em um imaginário 
estadista,
mas ignora que esse sujeito 
não passa de
um estúpido lunático vagabundo
parasita;

viva o povo brasileiro,
que foram tomados de completa cegueira
adotou daquele lunático uma corja de desajustados
que atendem por números e só dizem besteira
mas não passa de um bando de vagabundos safados

viva o povo brasileiro,
que não sabe ler nem 
escrever,
mas esnoba no inglês sem nada 
entender
só pra 
aparecer;

viva o povo brasileiro,
que grita um 'viva' pensando 
estar numa comunidade 
evolutiva,
mas não passa de uma 
sucateada sociedade 
primitiva;

viva o povo brasileiro,
que ignora tudo quanto é 
 vírus, 
como se em seus ouvidos estivessem disparando vários 
tiros
chegando até a esnobar o horripilante e mortal

viva o povo brasileiro,
o povo que se comporta de maneira ultrajante que
é o mesmo que ter o pai bandido e a mãe na 
zona;

viva o povo brasileiro,
que nas 'situações' suaviza o sofrimento do seu excluído 
compatriota,
inventando eufemismos achando que todo mundo é 
idiota;

viva o povo brasileiro,
que fugiu da escola sem 
levar nada a 
sério,
desde o professor e o
magistério,
o funcionário e tão pouco a 
direção
e é só por isso que 
sua nota é ZERO em
educação;

viva o povo brasileiro,
que tem ódio do seu país 
só porque perdeu o
jogo
e usa sua estupidez para 
em tudo tocar
fogo;

viva o povo brasileiro,
que passa voando com seu carrão novinho pisando 
fundo
se exibindo pra você, 
pra mim e pra todo 
mundo,
mas todos sabem que carrega 
no porta-luvas um carnê 
que parece não ter 
fim
pois seu salário é do 
tamanho de um
amendoim;

viva o povo brasileiro,
que pensa ser dono 
do seu minguado
dinheiro,
mas mal sabe ele que está tudo no bolso de algum espertalhão 
quadrilheiro;

viva o povo brasileiro,
que disputa Copas, Torneios
que pra ganhar solta até 
fogos 
e corre atrás de todo mundo 
com muita 
ânsia,
mas ultimamente não está ganhando nem cuspe à
distância;

viva o povo brasileiro,
que não tem nenhum 
respeito pelo seu
Brasil,
é por isso que vive mandando 
todo mundo pra puta que o 
pariu;

viva o povo brasileiro,
que dia desses nem tinha 
vacina pra se
imunizar,
e mesmo assim andava escolhendo o modelo que queria 
tomar,
e como um sommelier da 
idiotice
acreditando em promessas da mais pura
vigarice;

viva o povo brasileiro,
que do mundo se acha o melhor 
motorista,
mas na verdade tem uma manada
de burros e jumentos invadindo as ruas e a
pista;

viva o povo brasileiro,
que acredita ter uma sapiência 
profunda,
mas já faz tempo que vem levando na
bunda;

viva o povo brasileiro,
que se acha o eterno rei da 
cocada,
mas paga um pau danado 
pr'aquela horrorosa 
gringalhada;

viva o povo brasileiro,
que clama por uma liberdade que nem se sabe 
qual,
mas por ignorância na incoerência incita 
um regime que é cruelmente 
letal;

viva o povo brasileiro,
que só dá atenção pra quem pensa que dele 
gosta,
mesmo sabendo que nunca vai parar de comer um monte de 
bosta;

viva o povo brasileiro,
que acredita ser uma pessoa do 
bem,
mas não respeita a mulher, o negro, o homossexual, nem 
ninguém;

viva o povo brasileiro,
que não se convence que é idiota, imbecil, ou 
ignorante,
mas é fácil vê-lo dirigindo seu carro falando no celular ao 
volante;

viva o povo brasileiro,
que participa de tanqueciatas, motociatas e
passeatas,
mas engole facilmente mentiras, patifarias e 
bravatas;

viva o povo brasileiro,
que sempre se achou uma pessoa 
honrada,
mas que geralmente se deixa levar por qualquer 
roubada;

viva o povo brasileiro,
que anda tão topetudo se achando tal qual e 
tal,
 mas vive sentando em tudo que é 
pau;

viva o povo brasileiro,
que quer que você cresça e 
apareça,
mas não se iluda, ele só quer cagar na sua
cabeça;

viva o povo brasileiro,
que de tão inflado se acha aquele cara metido a 
bonzão,
mas não passa de um grandioso e eterno
cuzão;

viva o povo brasileiro,
que alegremente parece querer te 
agradar,
mas, meu amigo, não se engane, ele veio até aqui só pra te 
ferrar;

viva o povo brasileiro,
que cinicamente diz gostar e tolerar o índio, a bicha e o 
preto,
mas não hesita se tiver a chance de colocar todos eles num 
espeto;

viva o povo brasileiro,
que é tão criativo que se finge de besta, de morto e que ainda te 
escuta,
mas no geral se comporta como um grande filho da 
puta;

viva o povo brasileiro,
que anda incomodado parecendo que se
revolta,
mas assiste inerte e calado a roubalheira no seu bolso e a sua 
volta;

viva o povo brasileiro,
que confia naquele sujeito com cara de
sonso,
mas ele só está fingindo de morto pra comer
sua irmã, sua mãe e também você, seu 
tonto;

viva o povo brasileiro,
e viva a Maria-Maria do Bituca que ri quando deve chorar de tão 
marrenta,
que só luta e merece viver e amar,
mas que não vive nem ama, apenas 
aguenta;

viva o povo brasileiro,
que sonha com a volta de quem num rabo de 
foguete
sumiu de mãos dadas com o irmão do
mas chora junto com as Marias e Clarisses
e nunca acreditou na sua querida mãe 
gentil;

viva o povo brasileiro, 

que é tão 
boçal
se comportando como a um 
animal,
faz tipo de bonzinho como se fosse um 
menino, 
só que é um autêntico e grande 
cretino,
posa com o caráter a olho 
nu,
mas é só pra ver todo mundo tomar no 
cu;

viva o povo brazileiro,
que tem o real (R$) como moeda 
oficial,
mas paga tudo em dólar (US$) só pra agradar
o capitão, o sargento e o 
general;

viva o povo brasileiro,
que diz ser uma gente com muita 
noção,
mas defende com unhas e dentes o bandido, o assassino e o 
ladrão;

viva o povo brasileiro,
que esteve no meio de uma pandemia
mortal,
mas se aglomerava em festas e aguardava ansioso pelo 
carnaval;

viva o povo brasileiro,
que no negacionismo resolveu não se imunizar tomando 
vacinas,
mas sucumbiu a um vírus letal igualzinho a tenebrosas
chacinas;

viva o povo brasileiro,
que acha que resolve tudo espertamente
como num blefe de jogada de 
baralho,
mas sempre erra feio se complicando pra
caralho;

viva o povo brasileiro,
que te elogia te chamando de foda pra
valer,
mas ele quer mais que você vá se 
foder;

viva o povo brasileiro,
que odeia os fogos de artifício que atrapalham
seu cachorrinho que agora é também sua 
criança,
mas nem liga que seu totó uiva e late dia e noite infernizando a 
vizinhança;
e à tardinha passeia alegremente quando volta e 
meia 
mija e caga na calçada 
alheia,

(só pra esclarecer para essa degringolada
gente,
que o bichinho é dessa história toda o único
inocente);

viva o povo brasileiro,
que esgoelando reclama a toda hora da
carestia,
mas comemora pateticamente o desconto do aumento do outro 
dia;

viva o povo brasileiro,
que diz adorar essa terra azul de 
anil,
mas não vê a hora de sumir desse seu amado 
Brasil;

viva o povinho brasileiro
que acredita saber 
votar,
mas quase sempre elege quem não sabe
governar;

assim sendo,

viva o povo brasileiro,
que se acha tão grande, mas na verdade é bem 
pequenininho,
e que no fim das contas não passa de um

viva o povo brasileiro,
que grita 'toca Raul', o nosso querido e genial maluco
e eu aqui pra ele tiro meu chapeu pelos
empréstimos pra criar essa tão ácida 
proeza.

E pra fechar essa minha indigesta festa de
devaneio
viva o povão brasileiro,
que no resumo da ópera é sempre jogado pra 
escanteio.

Mas não fique assim tão bravo 
comigo,
e comece a olhar para muito além do próprio 
umbigo,
e parar pra tudo dizer 
amém
ou pra só o que lhe 
convém.

Viva, então, finalmente o povo brasileiro,
que está nesse lindo e desgovernado 
trem,
viva eu, viva eles, viva tu (e viva o rabo do tatu) que nesse vai e 
vem 
 aonde vai o pobre, vai o rico, seu parente,
seu vizinho, seu cachorro, sua sogra, seu cunhado
e vamos nós todos 
também,
mas com muito orgulho, apesar de não termos 
vintém,
eu sou, você é, e nós somos brasileiros
também.

 




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