Para começar esse meu
brejeiro
viva o povo
brasileiro.
Viva o povo brasileiro,
e não quero que você comigo fique
chateado,
mas parece que do seu país já ter se
enjoado.
viva o povo brasileiro,
tanto faz se casado, viúvo ou
solteiro,
onde de mãos dadas
vamos todos cantar
juntos,
pra homenagear essa gente que de tão lesada sequer tem quaisquer
assuntos.
Viva o povo brasileiro,
que feito um ordinário
grileiro
descaradamente abocanhou
como um larápio
aventureiro
uma terra que nem era
sua,
chutando os verdadeiros donos
lá pro olho da
rua;
viva o povo brasileiro,
que acredita que quem achou seu país
foi o desorientado e
se iludindo achando que nos livros a História contada é
real;
viva o povo brasileiro,
que defende com unhas e dentes seus políticos como se fosse seu
parceiro,
mas esses dementes mal
sabem que estão no meio de um imenso e imundo
pardieiro;
viva o povo brasileiro,
que como gladiadores retardados brigam pela esquerda e pela
direita,
mas no final das contas
todos perdem
sucumbindo de virose, dengue ou de
maleita;
viva o povo brasileiro,
que de tão idiota usa de qualquer jeito a bandeira
brasileira
achando que se trata de
uma sem graça
brincadeira;
viva o povo brasileiro,
que pensa estar bailando
em um lindo primeiro
mundo,
mas não consegue enxergar
que se afunda cada
vez mais em um triste e pobre
submundo;
viva o povo brasileiro,
que do dia pra noite transformou um ignóbil ser em um imaginário
estadista,
mas ignora que esse sujeito
não passa de
um estúpido lunático vagabundo
parasita;
viva o povo brasileiro,
que foram tomados de completa cegueira
adotou daquele lunático uma corja de desajustados
que atendem por números e só dizem besteira
mas não passa de um bando de vagabundos safados
viva o povo brasileiro,
que não sabe ler nem
escrever,
mas esnoba no inglês sem nada
entender
só pra
aparecer;
viva o povo brasileiro,
que grita um 'viva' pensando
estar numa comunidade
evolutiva,
mas não passa de uma
sucateada sociedade
primitiva;
viva o povo brasileiro,
que ignora tudo quanto é
vírus,
como se em seus ouvidos estivessem disparando vários
tiros
chegando até a esnobar o horripilante e mortal
viva o povo brasileiro,
o povo que se comporta de maneira ultrajante que
é o mesmo que ter o pai bandido e a mãe na
zona;
viva o povo brasileiro,
que nas 'situações' suaviza o sofrimento do seu excluído
compatriota,
inventando eufemismos achando que todo mundo é
idiota;
viva o povo brasileiro,
que fugiu da escola sem
levar nada a
sério,
desde o professor e o
magistério,
o funcionário e tão pouco a
direção
e é só por isso que
sua nota é ZERO em
educação;
viva o povo brasileiro,
que tem ódio do seu país
só porque perdeu o
jogo
e usa sua estupidez para
em tudo tocar
fogo;
viva o povo brasileiro,
que passa voando com seu carrão novinho pisando
fundo
se exibindo pra você,
pra mim e pra todo
mundo,
mas todos sabem que carrega
no porta-luvas um carnê
que parece não ter
fim
pois seu salário é do
tamanho de um
amendoim;
viva o povo brasileiro,
que pensa ser dono
do seu minguado
dinheiro,
mas mal sabe ele que está tudo no bolso de algum espertalhão
quadrilheiro;
viva o povo brasileiro,
que pra ganhar solta até
fogos
e corre atrás de todo mundo
com muita
ânsia,
mas ultimamente não está ganhando nem cuspe à
distância;
viva o povo brasileiro,
que não tem nenhum
respeito pelo seu
Brasil,
é por isso que vive mandando
todo mundo pra puta que o
pariu;
viva o povo brasileiro,
que dia desses nem tinha
vacina pra se
imunizar,
e mesmo assim andava escolhendo o modelo que queria
tomar,
e como um sommelier da
idiotice
acreditando em promessas da mais pura
vigarice;
viva o povo brasileiro,
que do mundo se acha o melhor
motorista,
mas na verdade tem uma manada
de burros e jumentos invadindo as ruas e a
pista;
viva o povo brasileiro,
que acredita ter uma sapiência
profunda,
mas já faz tempo que vem levando na
bunda;
viva o povo brasileiro,
que se acha o eterno rei da
cocada,
mas paga um pau danado
pr'aquela horrorosa
gringalhada;
viva o povo brasileiro,
que clama por uma liberdade que nem se sabe
qual,
mas por ignorância na incoerência incita
um regime que é cruelmente
letal;
viva o povo brasileiro,
que só dá atenção pra quem pensa que dele
gosta,
mesmo sabendo que nunca vai parar de comer um monte de
bosta;
viva o povo brasileiro,
que acredita ser uma pessoa do
bem,
mas não respeita a mulher, o negro, o homossexual, nem
ninguém;
viva o povo brasileiro,
que não se convence que é idiota, imbecil, ou
ignorante,
mas é fácil vê-lo dirigindo seu carro falando no celular ao
volante;
viva o povo brasileiro,
que participa de tanqueciatas, motociatas e
passeatas,
mas engole facilmente mentiras, patifarias e
bravatas;
viva o povo brasileiro,
que sempre se achou uma pessoa
honrada,
mas que geralmente se deixa levar por qualquer
roubada;
viva o povo brasileiro,
que anda tão topetudo se achando o tal qual e
tal,
mas vive sentando em tudo que é
pau;
viva o povo brasileiro,
que quer que você cresça e
apareça,
mas não se iluda, ele só quer cagar na sua
cabeça;
viva o povo brasileiro,
que de tão inflado se acha aquele cara metido a
bonzão,
mas não passa de um grandioso e eterno
cuzão;
viva o povo brasileiro,
que alegremente parece querer te
agradar,
mas, meu amigo, não se engane, ele veio até aqui só pra te
ferrar;
viva o povo brasileiro,
que cinicamente diz gostar e tolerar o índio, a bicha e o
preto,
mas não hesita se tiver a chance de colocar todos eles num
espeto;
viva o povo brasileiro,
que é tão criativo que se finge de besta, de morto e que ainda te
escuta,
mas no geral se comporta como um grande filho da
puta;
viva o povo brasileiro,
que anda incomodado parecendo que se
revolta,
mas assiste inerte e calado a roubalheira no seu bolso e a sua
volta;
viva o povo brasileiro,
que confia naquele sujeito com cara de
sonso,
mas ele só está fingindo de morto pra comer
sua irmã, sua mãe e também você, seu
tonto;
viva o povo brasileiro,
e viva a Maria-Maria do Bituca que ri quando deve chorar de tão
marrenta,
que só luta e merece viver e amar,
mas que não vive nem ama, apenas
aguenta;
viva o povo brasileiro,
que sonha com a volta de quem num rabo de
foguete
sumiu de mãos dadas com o irmão do
mas chora junto com as Marias e Clarisses
e nunca acreditou na sua querida mãe
gentil;
viva o povo brasileiro,
que é tão
boçal
se comportando como a um
animal,
faz tipo de bonzinho como se fosse um
menino,
só que é um autêntico e grande
cretino,
posa com o caráter a olho
nu,
mas é só pra ver todo mundo tomar no
cu;
viva o povo brazileiro,
que tem o real (R$) como moeda
oficial,
mas paga tudo em dólar (US$) só pra agradar
o capitão, o sargento e o
general;
viva o povo brasileiro,
que diz ser uma gente com muita
noção,
mas defende com unhas e dentes o bandido, o assassino e o
ladrão;
viva o povo brasileiro,
que esteve no meio de uma pandemia
mortal,
mas se aglomerava em festas e aguardava ansioso pelo
carnaval;
viva o povo brasileiro,
que no negacionismo resolveu não se imunizar tomando
vacinas,
mas sucumbiu a um vírus letal igualzinho a tenebrosas
chacinas;
viva o povo brasileiro,
que acha que resolve tudo espertamente
como num blefe de jogada de
baralho,
mas sempre erra feio se complicando pra
caralho;
viva o povo brasileiro,
que te elogia te chamando de foda pra
valer,
mas ele quer mais que você vá se
foder;
viva o povo brasileiro,
que odeia os fogos de artifício que atrapalham
seu cachorrinho que agora é também sua
criança,
mas nem liga que seu totó uiva e late dia e noite infernizando a
vizinhança;
e à tardinha passeia alegremente quando volta e
meia
mija e caga na calçada
alheia,
(só pra esclarecer para essa degringolada
gente,
que o bichinho é dessa história toda o único
inocente);
viva o povo brasileiro,
que esgoelando reclama a toda hora da
carestia,
mas comemora pateticamente o desconto do aumento do outro
dia;
viva o povo brasileiro,
que diz adorar essa terra azul de
anil,
mas não vê a hora de sumir desse seu amado
Brasil;
viva o povinho brasileiro
que acredita saber
votar,
mas quase sempre elege quem não sabe
governar;
assim sendo,
viva o povo brasileiro,
que se acha tão grande, mas na verdade é bem
pequenininho,
e que no fim das contas não passa de um
viva o povo brasileiro,
e eu aqui pra ele tiro meu chapeu pelos
empréstimos pra criar essa tão ácida
proeza.
E pra fechar essa minha indigesta festa de
devaneio
viva o povão brasileiro,
que no resumo da ópera é sempre jogado pra
escanteio.
Mas não fique assim tão bravo
comigo,
e comece a olhar para muito além do próprio
umbigo,
e parar pra tudo dizer
amém
ou pra só o que lhe
convém.
Viva, então, finalmente o povo brasileiro,
que está nesse lindo e desgovernado
trem,
viva eu, viva eles, viva tu (e viva o rabo do tatu) que nesse vai e
vem
aonde vai o pobre, vai o rico, seu parente,
seu vizinho, seu cachorro, sua sogra, seu cunhado
e vamos nós todos
também,
mas com muito orgulho, apesar de não termos
vintém,
eu sou, você é, e nós somos brasileiros
também.
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