É uma metáfora para um meio
superficial de condicionamento em massa.
A política do pão e circo: na Roma antiga,
a escravidão na zona rural fez com que vários camponeses perdessem o emprego e
migrassem para as cidades. O crescimento urbano acabou gerando problemas
sociais e o imperador com medo que a população, também conhecida como plebe, se
revoltasse com a falta de emprego e exigisse melhores condições de vida acabou
criando a política “panem et circenses”, a política do pão e circo.
Este método era muito simples: todos os dias havia lutas de gladiadores nos
estádios, o mais famoso foi o Coliseu, e durante os eventos eram distribuídos
alimentos (trigo, pão). O objetivo era alcançado, já que ao mesmo tempo em
que a população era incentivada a não se interessar por política, se distraia e
se alimentava, também esquecia os problemas e não pensava em rebelar-se. Caro
colega indignado e desfalcado contribuinte, esta situação ocorrida na Roma
antiga lembrou algum lugar contemporâneo tupiniquim? Claro que sim. O nosso
governo, desde sempre, tentando manter a população calminha e evitar que as
massas se rebelem, criaram ao longo da história algumas tantas bolsas-esmolas,
que engambelam os economicamente desfavorecidos e deixa a todos que recebem o
agrado, muito felizes e agradecidos, artifício criminosamente usado
recentemente com intenções eleitoreiras. O motivo de distribuir dinheiro ao
povo (quem quer dinheiro?!) é o mesmo dos imperadores romanos quando
presenteiam com pão e trigo seus concidadãos desesperados. Enquanto fazem
maracutaias e pegam dinheiro público para si, distraem a população com mesadas
em forma de doações. Estes programas sociais até fariam algum sentido se
fossem feitos de uma maneira honesta, tanto do lado que oferece quanto do que
recebe e também realizados investimentos reais na saúde que há muito anda
em coma, educação que está por um fio, qualificação da mão de obra cada
vez mais escassa e em cursos profissionalizantes e universidades gratuitas de
qualidade para os jovens. Aquela máxima manjada que diz “não se dá o
peixe, se ensina a pescar” pode ser definida como princípio básico de
desenvolvimento em qualquer sociedade. Em vez dos circos romanos dos
gladiadores lutando nos Coliseus temos, entre outros eventos, nossos estádios
de futebol e seus times milionários ou falidos. Houve um tempo que a coisa
chegou ao seu limite, eram os chamados ‘anos de chumbo’. O
brasileiro é apaixonado por este esporte assim como os romanos
lotavam as arenas com suas melhores roupas para assistir às lutas
embriagados de felicidade. O efeito político também é o mesmo nas
duas épocas: os problemas são esquecidos e só pensamos nos resultados
dos eventos e nos assistencialismos. A saída para esta dependência
repugnante é a educação, e as escolas existem aos montes em nosso
país, afinal, como proclamou emblematicamente, um dos nossos governos, somos
a “PÁTRIA EDUCADORA”, mas há muito que melhorar. Proporcionar
educação de qualidade é um dever do Estado, é nosso
direito, está na constituição, mas estamos acomodados e acostumados a ver
estudantes de escolas públicas sem oportunidades de avançar em seus estudos,
salvo raríssimas exceções, as greves são constantes e consideramos o nível
superior como algo para poucos privilegiados e de quebra o total descaso dos
governantes.
Somente com educação e cultura os
brasileiros ou qualquer povo, podem deixar de precisar de esmolas e assim se
desligar desse vínculo doentio, vicioso e podre como “pão e circo”, pois
estes são os meios para reduzir a pobreza. Precisamos de governos que não se
aproveitem das carências de seu povo para obter vantagens pessoais e sim que
deseja crescer em conjunto, mas parece que diante do cenário atual que perdura
há muito não nos resta muita esperança, estamos mergulhados em um
grandioso lamaçal movediço, nosso governo se maquia de bom samaritano com a
nítida intenção de dopar a grande parcela da população pouco ou nada
esclarecida.
Nem é hora de arrumar
culpados, precisamos nos mexer, afinal nossa corrupção já é histórica
e notória e a sensação é delirante, ‘mas as pessoas na sala de jantar são
ocupadas em nascer e morrer’.
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