sábado, 3 de fevereiro de 2024

PANEM ET CIRCENSES

 

 

É uma metáfora para um meio superficial de condicionamento em massa.

A política do pão e circo: na Roma antiga, a escravidão na zona rural fez com que vários camponeses perdessem o emprego e migrassem para as cidades. O crescimento urbano acabou gerando problemas sociais e o imperador com medo que a população, também conhecida como plebe, se revoltasse com a falta de emprego e exigisse melhores condições de vida acabou criando a política “panem et circenses”, a política do pão e circo. Este método era muito simples: todos os dias havia lutas de gladiadores nos estádios, o mais famoso foi o Coliseu, e durante os eventos eram distribuídos alimentos (trigo, pão). O objetivo era alcançado, já que ao mesmo tempo em que a população era incentivada a não se interessar por política, se distraia e se alimentava, também esquecia os problemas e não pensava em rebelar-se. Caro colega indignado e desfalcado contribuinte, esta situação ocorrida na Roma antiga lembrou algum lugar contemporâneo tupiniquim? Claro que sim. O nosso governo, desde sempre, tentando manter a população calminha e evitar que as massas se rebelem, criaram ao longo da história algumas tantas bolsas-esmolas, que engambelam os economicamente desfavorecidos e deixa a todos que recebem o agrado, muito felizes e agradecidos, artifício criminosamente usado recentemente com intenções eleitoreiras. O motivo de distribuir dinheiro ao povo (quem quer dinheiro?!) é o mesmo dos imperadores romanos quando presenteiam com pão e trigo seus concidadãos desesperados. Enquanto fazem maracutaias e pegam dinheiro público para si, distraem a população com mesadas em forma de doações. Estes programas sociais até fariam algum sentido se fossem feitos de uma maneira honesta, tanto do lado que oferece quanto do que recebe e também realizados investimentos reais na saúde que há muito anda em coma, educação que está por um fio, qualificação da mão de obra cada vez mais escassa e em cursos profissionalizantes e universidades gratuitas de qualidade para os jovens. Aquela máxima manjada que diz “não se dá o peixe, se ensina a pescar” pode ser definida como princípio básico de desenvolvimento em qualquer sociedade. Em vez dos circos romanos dos gladiadores lutando nos Coliseus temos, entre outros eventos, nossos estádios de futebol e seus times milionários ou falidos. Houve um tempo que a coisa chegou ao seu limite, eram os chamados ‘anos de chumbo’. O brasileiro é apaixonado por este esporte assim como os romanos lotavam as arenas com suas melhores roupas para assistir às lutas embriagados de felicidade. O efeito político também é o mesmo nas duas épocas: os problemas são esquecidos e só pensamos nos resultados dos eventos e nos assistencialismos. A saída para esta dependência repugnante é a educação, e as escolas existem aos montes em nosso país, afinal, como proclamou emblematicamente, um dos nossos governos, somos a “PÁTRIA EDUCADORA”, mas há muito que melhorar. Proporcionar educação de qualidade é um dever do Estado, é nosso direito, está na constituição, mas estamos acomodados e acostumados a ver estudantes de escolas públicas sem oportunidades de avançar em seus estudos, salvo raríssimas exceções, as greves são constantes e consideramos o nível superior como algo para poucos privilegiados e de quebra o total descaso dos governantes.

Somente com educação e cultura os brasileiros ou qualquer povo, podem deixar de precisar de esmolas e assim se desligar desse vínculo doentio, vicioso e podre como “pão e circo”, pois estes são os meios para reduzir a pobreza. Precisamos de governos que não se aproveitem das carências de seu povo para obter vantagens pessoais e sim que deseja crescer em conjunto, mas parece que diante do cenário atual que perdura há muito não nos resta muita esperança, estamos mergulhados em um grandioso lamaçal movediço, nosso governo se maquia de bom samaritano com a nítida intenção de dopar a grande parcela da população pouco ou nada esclarecida.

Nem é hora de arrumar culpados, precisamos nos mexer, afinal nossa corrupção já é histórica e notória e a sensação é delirante, ‘mas as pessoas na sala de jantar são ocupadas em nascer e morrer’.

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