Salve,
salve habitantes do planeta Terra, estamos no século XXI, berço de uma espécie
em deterioração e extinção e peço licença ao inigualável Gabriel García Márquez
para me apropriar de um tema de sua obra e aqui discorrer sobre a morte (como
uma prosopopeia), uma morte anunciada, anunciada pela minoria
inerte à quase tudo que habita sua moderada capacidade intelectual,
que talvez mal-use e se dissipe com tanta informação de nosso tempo. Estes
seres compartilham de predicados néscios e absortos na banalidade cotidiana. O
incômodo lancinante que sufoca o frequentador/morador de algumas currutelas
provincianas desse lindo pendão da esperança de cultura tão diversificada
quanto esmaecida parece não se ater ao bom senso nem a limites e a coisa toda
chega ao ápice de um mal-estar desmedido, uma cegueira moral sem
precedentes, afasia crônica e nenhuma razão. A diversidade, em todos os níveis,
está sendo desrespeitada e jogada na lata do lixo. Talvez porque em nossos
espelhos não são refletidas imagens narcísicas de nossos administradores-mores
como sonhamos, ficando assim, órfãos em nosso berço patriótico e,
convencidos nessa premissa acomodamo-nos e nem nos importamos que nos tornemos
igualmente corruptos.
‘o
indivíduo constrói ao longo de sua vida, principalmente por meio de formação
familiar, seu caráter e independe assim, de qualquer segmento, exemplo ou
influência.’ Monteiro Lobato
A
felicidade alheia incomoda sobremaneira o ser humano, frustrado ou não,
enrustido sexualmente ou plenamente resolvido, o falido ou abastado, não tem
classe, cor, credo ou qualquer coisa que o valha. Incomoda e só. A maldade
aflorada nos semblantes das pessoas pelas nossas ruas é de arrepiar,
de se pensar e é preocupante, veem-se comportamentos absurdos,
nenhuma educação ou respeito onde o companheirismo passa longe, a
individualidade se sobressai, a hipocrisia reina absoluta e a solidariedade às
vezes aparece, talvez para se fazer notar egocentricamente ou se mostrar aos
olhos da sociedade.
Palavras e
frases de efeito imoral são profanadas sem o menor pudor e nenhuma cerimônia,
como um ectoplasma embriagado atingindo diretamente a autoestima e o brio de
outras pessoas, atitude desprezível e condenável, porém sem a menor importância
para seu interlocutor, que tem despida e revelada sua incapacidade de se
sensibilizar. As decisões autoritárias e ditatoriais que acometem por políticas
bestiais ou outra razão idiota qualquer à casta de tradições de
famílias seculares ultrapassadas e falidas, o sentimento e a diversão do outro
pouco ou nada conta, derrubando e soterrando assim a liberdade de expressão e
até o direito constitucional tão óbvio de ir e vir nessa
que é uma democracia disfarçada e fajuta onde só quem pode manda
e executa contrariando a morte anunciada prematuramente da ditadura.
‘Se
está bom pra mim, que se dane você’, é assim mesmo que pensa e se
expressa a maioria das pessoas em suas atitudes egoístas e patéticas no dia a
dia, seja por capricho ou simplesmente pela sensação etérea de estar levando
vantagem esboçando expressões apalermadas onde sua capacidade de absorver o
jeitinho de fazer as coisas ao seu bel-prazer é incrível e ainda sair
caminhando feliz e sorridente se achando o ‘máximo’ na certeza da missão
cumprida nem se importando com o aborrecimento e tão pouco com o trauma que
causou ao seu colega.
Rever
conceitos não ameniza nada se não tomar atitudes notáveis e agir em benefício
de alguma causa coletiva. Sim, a morte é inevitável. E a morte da
alma, do caráter, da vergonha, da honra onde sobrevivem o cinismo, a
indiferença, a maldade, a insensatez, esta é imortal.
Estamos
assim, por um triz e nossa existência pífia na Terra e com toda certeza não
está causando nenhuma comoção ao Criador disso tudo.
E
então seu Raimundo, que caos é esse que conseguimos impor ao mundo, nesse
mundo, o mundo, vasto mundo? É só uma rima, não uma solução? Então, seu
Raimundo?
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