sexta-feira, 2 de fevereiro de 2024

CRÔNICA DE UMA MORTE ANUNCIADA, MAS NÃO CONSUMADA

 

 

Salve, salve habitantes do planeta Terra, estamos no século XXI, berço de uma espécie em deterioração e extinção e peço licença ao inigualável Gabriel García Márquez para me apropriar de um tema de sua obra e aqui discorrer sobre a morte (como uma prosopopeia), uma morte anunciada, anunciada pela minoria inerte à quase tudo que habita sua moderada capacidade intelectual, que talvez mal-use e se dissipe com tanta informação de nosso tempo. Estes seres compartilham de predicados néscios e absortos na banalidade cotidiana. O incômodo lancinante que sufoca o frequentador/morador de algumas currutelas provincianas desse lindo pendão da esperança de cultura tão diversificada quanto esmaecida parece não se ater ao bom senso nem a limites e a coisa toda chega ao ápice de um mal-estar desmedido, uma cegueira moral sem precedentes, afasia crônica e nenhuma razão. A diversidade, em todos os níveis, está sendo desrespeitada e jogada na lata do lixo. Talvez porque em nossos espelhos não são refletidas imagens narcísicas de nossos administradores-mores como sonhamos, ficando assim, órfãos em nosso berço patriótico e, convencidos nessa premissa acomodamo-nos e nem nos importamos que nos tornemos igualmente corruptos.

 ‘o indivíduo constrói ao longo de sua vida, principalmente por meio de formação familiar, seu caráter e independe assim, de qualquer segmento, exemplo ou influência.’  Monteiro Lobato

A felicidade alheia incomoda sobremaneira o ser humano, frustrado ou não, enrustido sexualmente ou plenamente resolvido, o falido ou abastado, não tem classe, cor, credo ou qualquer coisa que o valha. Incomoda e só. A maldade aflorada nos semblantes das pessoas pelas nossas ruas é de arrepiar, de se pensar e é preocupante, veem-se comportamentos absurdos, nenhuma educação ou respeito onde o companheirismo passa longe, a individualidade se sobressai, a hipocrisia reina absoluta e a solidariedade às vezes aparece, talvez para se fazer notar egocentricamente ou se mostrar aos olhos da sociedade. 

Palavras e frases de efeito imoral são profanadas sem o menor pudor e nenhuma cerimônia, como um ectoplasma embriagado atingindo diretamente a autoestima e o brio de outras pessoas, atitude desprezível e condenável, porém sem a menor importância para seu interlocutor, que tem despida e revelada sua incapacidade de se sensibilizar. As decisões autoritárias e ditatoriais que acometem por políticas bestiais ou outra razão idiota qualquer à casta de tradições de famílias seculares ultrapassadas e falidas, o sentimento e a diversão do outro pouco ou nada conta, derrubando e soterrando assim a liberdade de expressão e até o direito constitucional tão óbvio de ir e vir nessa que é uma democracia disfarçada e fajuta onde só quem pode manda e executa contrariando a morte anunciada prematuramente da ditadura.

‘Se está bom pra mim, que se dane você’, é assim mesmo que pensa e se expressa a maioria das pessoas em suas atitudes egoístas e patéticas no dia a dia, seja por capricho ou simplesmente pela sensação etérea de estar levando vantagem esboçando expressões apalermadas onde sua capacidade de absorver o jeitinho de fazer as coisas ao seu bel-prazer é incrível e ainda sair caminhando feliz e sorridente se achando o ‘máximo’ na certeza da missão cumprida nem se importando com o aborrecimento e tão pouco com o trauma que causou ao seu colega.

Rever conceitos não ameniza nada se não tomar atitudes notáveis e agir em benefício de alguma causa coletiva. Sim, a morte é inevitável. E a morte da alma, do caráter, da vergonha, da honra onde sobrevivem o cinismo, a indiferença, a maldade, a insensatez, esta é imortal.

Estamos assim, por um triz e nossa existência pífia na Terra e com toda certeza não está causando nenhuma comoção ao Criador disso tudo.

 E então seu Raimundo, que caos é esse que conseguimos impor ao mundo, nesse mundo, o mundo, vasto mundo? É só uma rima, não uma solução? Então, seu Raimundo?

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