A Terra tem
aproximadamente 4,5 bilhões de anos, é o planeta azul, sua natureza
vem sendo cuidadosamente moldada e é absurdamente deslumbrante, mas
em um paradoxo inacreditável, a presença nefasta do homem, também conhecido
como Homo Sapiens que em latim quer dizer, vejam só, “homem
sábio” (estima-se que está vagando por aí há cerca de 300
mil anos), este ser com toda essa sapiência vem contribuindo drasticamente
desde então para sua destruição e o faz com tanta rapidez e agressividade
ficando um prejuízo gigantesco que fica impossível uma regeneração. Todas essas
catástrofes que já nos acostumamos a assistir ao longo dos tempos e que se
repete a toda hora e que parece longe do fim é fruto dessa
irresponsabilidade humana, mas como em um círculo tudo se volta para o
causador, milhares de vidas são perdidas a toda hora por causa disso e a lição
não é aprendida, tudo continua sendo feito sem o menor
arrependimento. Veja isso: temos a incrível capacidade de aplaudir o individuo
que comete atos de cidadania e consciência e não fazemos o mesmo, por exemplo,
você separa seu lixo reciclável? É claro que não. Quando a
natureza fica de ‘saco cheio’ e resolve se voltar contra seus
algozes, ela o faz com tamanha magnitude que ficamos todos perplexos sem
acreditar. É possível sim! E nem mesmo com todas as catástrofes
causadas aprendemos qualquer lição, fazemos tudo novamente e tudo errado e
pagamos um preço amargo, somos de uma crueldade ímpar. Na pertinência do
momento calamitoso de pandemia que nos acometeu recentemente, vejamos apenas
algumas cenas históricas: um dos primeiros casos de Pandemia registrados foi
a Peste de Justiniano, acontecida por volta de 541 D.C. e que se iniciou
no Egito até chegar à capital do Império Bizantino. Provocada
pela peste bubônica, transmitida através de pulgas em ratos contaminados, a
enfermidade matou entre 500 mil a 1 milhão de pessoas apenas em Constantinopla,
espalhando por Síria, Turquia, Pérsia (atual Irã) e parte da Europa. Estima-se
que a pandemia tenha durado mais de 200 anos. Passamos também
pela Gripe Russa, já em 1580 (existem relatos da primeira
pandemia de gripe), que se espalhou por Ásia, Europa, África e
América. Séculos depois, em 1889, a Gripe Russa foi a primeira a ser
documentada com detalhes, com proliferação inicial de duas semanas sobre o
Império Russo e chegando até o Rio de Janeiro. Ao todo, 1 milhão de
pessoas morreram por conta de um subtipo da Influenza A. A terrível
Peste Negra (O termo Peste Negra foi dado para um surto de peste bubônica que
se iniciou na Ásia Central e espalhou-se pela Europa
e África) ocorreu na segunda metade do século XIV (1347-1353), onde
um terço da população da Eurásia (Eurásia é a massa que forma em conjunto a
Europa e a Ásia) foi dizimada. Outras pandemias avassaladoras como a Varíola, essa doença atormentou a humanidade por mais
de 3 mil anos, foi erradicada do planeta na década 1980 após campanha de
vacinação em massa. A Cólera, em sua primeira
pandemia global, em 1817, matou centenas de milhares de pessoas ou ainda
a Gripe Espanhola, também conhecida como Gripe de
1918, foi uma vasta e mortal pandemia do vírus influenza, de janeiro
de 1918 a dezembro de 1920, infectou uma estimativa de 500 milhões de pessoas,
cerca de um quarto da população mundial na época. Estima-se que o
número de mortos esteja entre 17 milhões e 50 milhões, e possivelmente
até 100 milhões, tornando-a uma das epidemias mais mortais da
história da humanidade.
A gripe
espanhola foi a primeira de duas pandemias causadas pelo influenzavirus H1N1,
sendo a segunda ocorrida em 2009. Os sintomas da doença eram muito parecidos
com a atual pandemia do COVID-19, que é uma doença causada pelo
coronavírus, denominado SARS-CoV-2 (Síndrome Respiratória Aguda Grave),
responsável por aquela terrível pandemia.
SEMELHANÇAS
ENTRE COVID-19 E OUTRAS PANDEMIAS
Mesmo com
origens distintas, o que mais se assemelha entre os surtos
pandêmicos é o comportamento humano perante as enfermidades. Um
primeiro ponto a se observar se deve ao fato do temor da população às
doenças ter ligação direta com os primeiros métodos de prevenção. Foi
durante a Peste Negra que a cidade de Veneza, na Itália, adotou o conceito
de quarentena, herdado do Velho Testamento da Bíblia como tempo de isolamento
para surtos de hanseníase na antiguidade. Entretanto,
outra “herança” dos surtos de pandemia que se repete a cada novo caso
não é justamente uma vantagem para a prevenção.
Com medo e
certa falta de conhecimento, as pessoas acabam se apegando a crendice popular
ou informações falsas para se prevenir. Sobre a Gripe Espanhola no
Brasil, por exemplo, “aconselhava-se à população precaver-se, fazendo
uso de limonadas, quinino, aspirina e piramidon, evitando contato com os
doentes. A limonada era prescrita em virtude do teor de vitamina C contido no
limão, o que podia contribuir para aumentar a imunidade. O quinino era tido em
todo país como preventivo da gripe, ainda que durante a epidemia tenha se
mostrado totalmente ineficaz; os outros remédios eram analgésicos e febrífugos,
que só teriam valia para atenuar os sintomas dos já acometidos pela
doença”. Qualquer semelhança com os dias de hoje não é mera coincidência.
Hoje, as recomendações de prevenção à Covid-19 têm foco total em
isolamento social, uso de máscaras de proteção facial e em maiores cuidados
higiênicos, primeiro passo quase universal para impedir a proliferação das
enfermidades. Mesmo com suas diferenças biológicas, sociais, temporais e
geográficas, as pandemias costumam resguardar alguns pontos em comum, como
o caos social, mudanças de comportamento e disseminação de informações
falsas.Olhando para trás, fica clara a necessidade de investir e valorizar
cada vez mais as pesquisas científicas, os estudos e os profissionais da saúde.
Afinal, mesmo com um histórico tão grande de pandemias, ainda temos muito o que
avançar para impedir que esse tipo de fenômeno volte a assolar de forma
terrivelmente fatal a humanidade.
DE VOLTA
AGORA AQUI AO NOSSO CONTEMPORÂNEO
É óbvio
que a natureza está se manifestando num paralelo nada funcional onde tudo
parece plástico, líquido, superficial e insosso donde vemos um monte de gente
ostentando bens numa superfluidade boçal, está evidente que estamos sendo
testados sempre (esqueça o trocadilho) ou punidos, e esse amontoado de coisas
desnecessárias e descartáveis em um mundo onde não temos hospitais,
equipamentos, nem leitos suficientes para a população de uma maneira geral e
quando de uma emergência como essa que está ocorrendo a coisa piora muito,
chegando à calamidade pública, o caos está declarado e o trauma
será imenso e irreversível, não escolhendo cor, credo nem classe social,
não me refiro ao tratamento, mas à contaminação, e mais uma vez acontecerão
mudanças e a humanidade nunca mais será a mesma, quem viver ou sobreviver
verá e sentirá drasticamente as alterações de um novo mundo, se pior
ou melhor não sabemos. Ficou patente que nunca tivemos e jamais teremos
capacidade para enfrentar os males iminentes, não temos dignidade e nem somos
merecedores dessa magnitude que é a criação da Terra, levamos outro
nocaute no estômago e por isso agora estamos agonizando, estamos apavorados, um
lamento sofrível coletivo ecoa pelos ares, todos, de alguma maneira estão
doentes mundo afora, hospitais de campanha foram desesperadamente montados em
cada esquina num panorama de guerra, números alarmantes de infectados e mortes
em uma ascensão inimaginável, variantes de vírus aparecendo a todo momento
desafiando a ciência, milhares de pessoas confinadas sem poder trabalhar, se
divertir, nossos velhos estão morrendo à revelia das autoridades,
nossas crianças sem poder brincar, correr na chuva, curtir os dias ensolarados,
passear pelas ruas, parques, pelas praias, e tardiamente estamos adquirindo
hábitos de higiene que jamais tivemos.
O LEGADO
Se ainda
não bastasse temos que conviver com o desserviço de governantes
alucinados. Tem quem acredita que as pessoas após essa tragédia ficarão
melhores, assim como num passe de mágica, ledo engano, tudo não passará de
uma doença coletiva que acometeu milhares de pessoas ao mesmo tempo e tudo
voltará a ser como antes com algumas sequelas físicas e mentais e ainda a
desigualdade e a pobreza aumentando. Assim como descrevi nesse breve ensaio,
esse cenário já foi visto e vivido por várias vezes e pelo comportamento
desse ser humano que aqui está ainda teremos pandemias avassaladoras por
séculos a fio. Esse é o homem, destrói tudo só pra ver
como é que fica e depois tenta remendar de novo, a
memória é curta, sempre foi, apenas ficará registrado nos livros
de história. Mas quem se importa? E o que será de nós? Eu não sei,
ninguém sabe, mas sei bem que teremos, com toda certeza, que rever muitas
coisas, comportamentos, atitudes e, principalmente, humildade.
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