sexta-feira, 2 de fevereiro de 2024

AS MENINAS, AS GAROTAS, AS MULHERES, ÀS MULHERES.

 

 




Começou já faz tempo, o primeiro Dia da Mulher foi comemorado nos Estados Unidos em maio de 1908 quando mais de 1500 mulheres se reuniram em um protesto contra a desigualdade de gênero e trabalhista da época. Em 8 de março de 1917, na Rússia Imperial, organizou-se uma grande passeata de mulheres em protesto contra a carestia, o desemprego e a deterioração geral das condições de vida no país que ficou conhecido como "Pão e Paz". 

Em 1975, o dia 8 de março foi instituído como 'Dia Internacional das Mulheres', pelas Nações Unidas.

Pode ser no 8 de março, 15 de outubro, 31 de agosto, em qualquer dia, a qualquer hora, em qualquer lugar, no deserto, na Lua, em Marte, em outro planeta, no fim do mundo, lá dos confins dos infinitos, na rua, na praia, aparece do nada naturalmente, como cantou o Vinícius, requebrando e rebolando com tanta graça que nos desconcerta e nos encanta, puro charme, lança aquele sorriso esguio de propósito e um olhar sinistro e tão enigmático que faz tremer nossas pernas, metralha nosso coração e deixa nossa cabeça zonza, é tão incrivelmente misteriosa que faz com que jamais conseguiremos entendê-la (e nem é bom tentar), não consegue ficar calada, (onde arruma tanto assunto não sabemos), fala muito e muito alto, quase gritando que parece haver uma grande briga, organiza um trilhão de coisas na cabeça e tudo ao mesmo tempo, se quiser pode queimar uma cidade inteira, destruir qualquer palácio, esvaziar piscinas, se maquiar no semáforo e parar o trânsito que ‘tudo bem’, estaciona seu carro de qualquer jeito, ir embora assim do nada. Observa tudo e a todos rapidamente e num estalo faz elogios e críticas, pode saber tudo o que acontece ao seu redor facilmente, não tem nenhum limite, cuida da casa, cuida de nós, dos nossos filhos e quem mais vier e ainda sai pra trabalhar e quando está no comando se sobressai sem perder a graça e o charme jamais, tudo isso e muito mais com tanto esmero e na mais perfeita sintonia e ordem, o que pra nós, homens, seria improvável e impossível. Faz trinta e sete coisas ao mesmo tempo, nós, os machos, só conseguimos fazer uma única e olhe lá (se for trocar a lâmpada, segurem a escada), adora dar palpites em todos os assuntos, bisbilhoteia tudo, se intromete onde não é chamada e cria um ‘barraco’ com a maior facilidade do mundo.

Mas só que o leite derramou e a coisa azedou de vez quando resolveu arrumar uma data pra chamar de ‘sua’. Óbvio, fez um barulho danado que o estrondo foi tão grande que custou várias vidas e teve que enfrentar a soberania e a arrogância masculinas, mas conseguiu.


“Olha que coisa mais linda, mais cheia de graça...

Está lá no Gênesis 1:27 que Deus criou a mulher. Em 1966 Roger Vadim recriou a mulher na imagem da maravilhosa Brigitte Bardot, então me curvo humildemente para você, que é

a deusa da minha rua;

as 'mina' do pedaço;

minha honey baby;

a musa de todas as artes;

a gata;

meu bebê;

a princesa;

anjo meu;

a boneca cobiçada;

é a menina charmosa e apressada;

é a africana esguia e linda como o ébano da noite;

é tímida, mas deliciosamente maliciosa;

com enormes bobes cafonas nos cabelos;

escandalosa e escrachada;

americana sardenta e sem bunda;

inconstante e recatada;

fora de moda (mas nem aí);

com pelos nas pernas;

desesperada e brava;

com peitinhos ou peitões;

na TPM (fuja!);

uma puta, putinha, sem vergonha;

biscate, biscatinha, biscatão;

a Geni, que dá em qualquer lugar e pra qualquer um (mas não precisa jogar pedra nem cuspir nela não);

a Angélica que procura seu anjo na escuridão do mar até hoje;

a linda menina branquinha esotérica;

a bonequinha de luxo com seu ‘gato’;

a gueixa oriental delicadíssima, quase uma porcelana chinesa;

a descontrolada e esbaforida;

a Marylin que cantou e encantou o presidente;

calamitosamente desastrada;

a gordinha, que é tão fofinha;

a loirinha incrível que sabe até fazer cálculos;

totalmente distraída;

histérica de puxar os cabelos (corra!!);

a ruivinha avermelhada e rara;

com modelito demodê;

aquela tão charmosa quanto esnobe;

a pequenininha invocadinha (uma gracinha!);

tão alta que vê tudo por cima;

a desvairada devassa;

a gostosona exibida;

uma australiana branquela tão vadia quanto assanhada;

estilo completamente zen;

séria, mas com jeitinho dá pra conversar;

sorridente (ri de qualquer coisa, a qualquer hora, de qualquer um e em qualquer lugar);

a ucraniana de olhar triste, mas que é tão linda quanto a russa;

aquela outra que chora por qualquer motivo;

descabelada e descompensada;

uma siberiana que não é tão fria assim;

organizada ou desorganizada (tanto faz);

inteligente um montão ou talvez também só um pouquinho;

tão magra, magérrima;

Carolina que não sai da janela, mas pode também chamá-la de Carol;

a Liège que em sua inconstância inspira a belíssima Bélgica;

a Cora apareceu na mágica noite chuvosa juntamente com o poema da Coralina e no concretismo dos poetas de Campos, espaços: Cora-Coral-Coralinda-Coraline;

a Vilma e a Beth das cavernas;

Greta, a pirralha barulhenta que atormenta os marmanjos;

as 4 Marias do amor e a linda prole feminina das 4 Marias;

a Ana que nem de Hollanda veio, mas passeia e dança pela Ilha na mais pura magia das noites;

a Nádia da Romênia que flutuava em um perfeito balé sideral;

solitária, lá está a Sofia em seu mundo peculiar e misterioso;

Nirce a tia que via tudo que ninguém via;

a Antônia que só passou pra dizer 'olá';

a professorinha que deixou saudade;

a moça-Polyana, uma menina que nunca se abala e não tem qualquer pressa e é avoada como o quê;

a Clarisse que sempre chora e a Irene que sempre ri;

a Kaya que saiu da enfumaçada Jamaica e continua alheia;

a Julia, nossa rainha cheia de brilho que era uma Joia que pra seus irmãos era italianamente a dióia e é também a menina cacheada das campinas;

Helena, que de Tróia e das indaiás de Cocaes é a mais linda do mundo;

Diana, a princesa plebeia e incompreendida que nem pode ver a luz no fim do túnel;

Teresa da praia do Tom de olhos verdinhos e nariz arrebitado, a Maria, outra Teresa aquela agitada da cidadezinha ou a bondosa de Calcutá;

Ester, a reluzente estrela da manhã;

Eloá ou Eloah que veio de Elah e Elohim, que significa “Deus”, também pode significar “Deus supremo” ou “o Deus vivo;

a Beatriz que por um triz virou a Bia;

de novo a Maria que é como uma Flor que desabrochou linda como a flor;

chegou da França uma Joana e a outra foi queimada e virou santa;

bonita, bonitinha, linda, lindíssima e... loucamente doida.

Além de todas de além-mar e, claro, a Siomara que é a minha e tão somente minha Mara, dona da minha complicada cabeça.

E assim fica aqui um beijo meu pra todas vocês (e não precisa brigar).

 

"Em todos os momentos de minha vida há uma mulher que me leva pela mão nas trevas de uma realidade que as mulheres conhecem melhor que os homens e nas quais se orientam melhor com menos luzes.”

Gabriel García Márquez - O Gabo 


Altair José 


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