Você já foi à praia?
Não? Então vá. Mar azul, areia branca, paisagem deslumbrante e um sol
escaldante. Nem os monumentais, inacreditáveis e infindáveis congestionamentos,
a mala de dinheiro que você deixará nos pedágios e as intermináveis
horas que você vai levar para chegar até lá vão te tirar o
bom-humor, pois estamos diante da mais bela das criações que é a
natureza. Pessoas, muitas pessoas, algumas bonitas outras nem tanto, gente de
toda espécie e cores, mas não se preocupe ninguém vai prestar atenção em você.
A descontração é tanta que você fica o tempo que desejar e onde
quiser de biquíni, de sunga e sem camisa exibindo aquela barriga roliça e
ridícula, pode sim encher a cara e sair cambaleando sem nenhum problema, saia
cantarolando aquela música idiota que só você suporta, pois ninguém
vai te apedrejar, e pode comer qualquer coisa e a quantidade que quiser
até explodir sem nenhuma culpa. Ali você vai curtir aquele mar sem
fim, o céu de um azul gritante, montanhas magistralmente esculpidas pelo tempo,
vegetação nativa formando um imenso tapete verde, ondas do mar quebrando nas
rochas produzindo um barulho agradável transformado em música. Mesmo o tempo
estando nublado, ainda assim o cenário é deslumbrante. A
natureza é assim. Quando cai a noite você poderá dar umas
voltas pela simpática cidade onde as pessoas estão todas com poucas e leves
roupas exibindo o bronzeado que conseguiram durante o dia. Pelas ruas,
você vai encontrar várias opções de diversão e lazer, nesses lugares, em
todos eles, existem aquelas "feirinhas de artesanato" que estão
sempre entupidas de gente e onde tem toda espécie de bugigangas e lembrancinhas
inúteis que você vai comprar para aquela sua amiga ou para seu amigão. No
litoral, nas altas temporadas, você vai pagar um pouco mais caro nas
coisas, mas nada que te leve à falência. Mas o melhor ainda está por
vir, são as pessoas. Ah! as pessoas. Essas, quando chegam ao litoral, como em
um passe de mágica se transformam em gente, ficam gentis, educadas, prestativas,
sorridentes, solidárias, enfim é tudo de bom. Te auxiliam se
você precisa e também se você não precisa, os homens dão a
preferência às mulheres em situações de cavalheirismo, os idosos, veja só,
recebem o devido respeito, os motoristas não estacionam em vagas preferenciais
e não buzinam em locais proibidos e horários impróprios. Isso é muito
legal, não acham? Mas não é só isso, os carros trafegam em uma
irritante velocidade de câmera lenta e, ops!, basta uma menção sua de atravessar
a rua que eles gentil e imediatamente param para que você atravesse em
segurança. Não é demais? Isso é tão emocionante que a
sensação é de estarmos em um país sério, de primeiro mundo ou ainda
em um mundo de fantasias: “acho que me mudarei pra cá!”. Você, claro, se
sente bem, feliz, descontraído e seguro. Mas eis que num estalo e quase
sem querer, você começa a observar que os veículos são, na sua maioria, de
outras localidades, incluindo a sua, que está lá para o fim do mundo
de tão longe e chegando até a encontrar pessoas conhecidas suas pelas ruas
e praias. Como assim? Como pode isso? Você, estupefato, se questiona.
É muito simples meu caro turista acidental, assim como na praia a
temporada é sazonal, o ser humano também o é. É um
surto passageiro. Sabe aquela máxima que diz que "amor de praia não
sobe serra"? Pois é, assim como a educação, o bom-senso a gentileza,
a solidariedade, o bom-humor, o respeito, a gratidão, o cavalheirismo, a
sensatez, a cordialidade, a cidadania...
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