Somos brasileiros por excelência e por condição e historicamente não respeitamos qualquer limite, não respeitamos coisa alguma, nem nada, nem ninguém; estamos pouco nos fodendo pras leis, nossos concidadãos que se lasquem: ‘ô seu retardado, sai da frente senão passo por cima’; assassinamos amiudadamente nossa língua tão inculta quanto bela e buscamos termos aos quais entendemos patavinas como num flagelo inacreditável ‘pagando um pau’ danado p’raquela gringaiada medonha; meu filho ‘é o cara' e o seu é um bosta seu bosta; na autossabotagem ilícita emporcalhamos a rua por onde caminhamos, cagamos e sentamos em cima da própria merda; malhamos as presepadas e corrupções dos governantes e fazemos a mesmíssima coisa; veneramos histericamente cantores sertanejos pavorosos e horripilantes na plateia dos horrores; torcemos contra só pra 'ver o oco'; acatamos mentiras com toda a naturalidade desse mundo; 'voamos' com nossos veículos por aí sem qualquer noção de perigo, somos o Ayrton Senna dos infernos; falamos ao celular dirigindo, ‘e daí?’; avançamos ns semáforos, tanto faz se verde ou vermelho; faixas de pedestres são apenas riscos pintados no chão e o pedestre é só o pedestre; qualquer “merda” vira ídolo ou mito do dia pra noite; ferramos canalhamente nossos colegas de trabalho pra nos favorecer; depreciamos nossas personalidades históricas sem dó; tivemos um vírus maldito e mortal bailando pelos ares, mas fingimos que ele não existiu; acreditamos por séculos a fio que vão salvar nosso país tropical abençoado por Deus e bonito por natureza (quá-quá-quá).
E ainda assim, diante dessa patifaria toda e em uma sofomania inveterada, nos achamos ‘a cereja do bolo’. Se quiser, pode cuspir nesse bolo, seu infame.
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