Assim disse-lhes Jesus: "Meu Pai continua trabalhando até hoje, e eu também estou trabalhando". - João 5:17
“Os projetos melhor elaborados, sejam de camundongos ou sejam de homens, fracassam muitas vezes e nos fornecem só tristeza e sofrimento, em vez do prêmio prometido”. Robert Burns
"Quando ainda estávamos com vocês, nós ordenamos isto: Se alguém não quiser trabalhar, também não coma. Pois ouvimos que alguns de vocês estão ociosos; não trabalham, mas andam se intrometendo na vida alheia. A tais pessoas ordenamos e exortamos no Senhor Jesus Cristo que trabalhem tranquilamente e comam o seu próprio pão." 2 Tessalonicenses 3:10-12
O poeta cantor Gonzaguinha em seu lamento disse que o homem também chora, se humilha se castram seu sonho, sem o seu trabalho ele não tem honra e sem a sua honra se morre, se mata.
Dizem que o trabalho dignifica o homem, então você é um homem digníssimo, trabalha já faz tempo, perdeu as contas, nem se lembra o dia em que começou a trabalhar e continua trabalhando. Aí você paga compulsoriamente um caminhão de impostos. Todo mundo fica feliz pois inocentemente acredita que essa montanha de dinheiro vai retornar como benefícios? Não vai não, é claro que NÃO!!!! (*compulsório, para aquele que não sabe: querendo ou não, meu lindo e minha lindinha, você vai pagar. Algo como um estelionato oficial autorizado não autorizado). Daí você trabalha muito feito um camelo desde muito cedo para poder ter uma vida, senão abastada, pelo menos digna, compra um carrinho financiado, velho com um motorzinho ‘meia-vida’ fumando mais que o garoto Ardi Rizal da Indonésia, uma casinha minúscula também usada caindo aos pedaços e também financiada à perder de vista com um monte de conta vencida deixadas de presente pelo ex-dono, água e luz ‘cortadas’, já faz parte do clube dos endividados com empréstimos bancários consignados que aquele seu simpático gerente te empurrou goela abaixo (esse também tem que pagar), adquire algumas coisinhas para seu bem-estar, dentre elas duas cadeiras de praia, uma pra você e outra pra sua esposa levarem pro litoral uma vez por ano, (mas nem todo ano, né?) e duas daquelas cadeiras de fio trançado bem bacana que você ‘namorava’ nas varandas das casas e sempre sonhou em ter uma igual, até que enfim conseguiu comprar (pagou parcelado, lógico), uma azul e outra vermelha, a azul para você e a vermelha para sua esposa se sentarem à tardinha depois de um estafante dia de trampo para tomar aquela merecida deliciosa cerveja geladinha, ela gosta da Skol e você da Heineken, acompanhado de uma suculenta porção de frios que ela adora ou de frango à passarinho que é você quem gosta mais e trocar umas ideias: ‘como foi seu dia, meu bem...? Assim vai-se caminhando, simplesmente e sempre...
Parece que tudo vai bem e tudo está bem naquela paz que reina soberana, você já está naquela idade do sossego, não dando bola pra mesquinharias, gente mala você quer a quilômetros de distância, conversa mole você só finge que escuta e tá cagando pelo que as outras pessoas pensam ou vão falar de você que quer mesmo apenas trabalhar em paz pra poder ter essas coisas simples que já falei aqui, mas ainda continua trabalhando para que o valor de sua aposentadoria não seja ainda mais irrisório e minguado. A isso costumam chamar de civilidade.
Estrondoso engano, meu caro esfolado contribuinte, o mundo além de ser um moinho é também um calvário. Você trabalha, mas quem não trabalha não poderá se sentar com seu bem para tomar umas cervejas e conversar sobre seu dia de trabalho, afinal, ele não trabalha, jamais trabalhou e nunca trabalhará, já que sempre haverá quem trabalha, trabalhou e sempre trabalhará para eles, os parasitas. Vamos assim à parte suja, o lado emporcalhado dessa terra quase sem dono, as mazelas da vida, das vidas dos outros que atrapalham nossas honestas e singelas vidas. Na contramão da história, por vias sinuosas e sinistras, caminha uma galerinha solta alegremente pelas ruas, antes eram os zumbis endiabrados noturnos com olhos esbugalhados de vagalume, agora estão mais à vontade, vagueiam tranquilamente pelas manhãs e tardes pela outrora pacata cidadezinha, são a escória com olhos vermelhos, estão longe de ser vítimas do sistema ou da sociedade como pregam alguns mimizentos candidatos à canonização, esses demônios de olhos sanguinolentos não trabalham, levam a vida na mais sublime vagabundagem curtindo com a nossa cara se divertindo com os objetos e dinheiro subtraídos dessas pessoas que falei aí em cima, eu, você, nós, esses malditos estão na surdina dos becos e esgotos sórdidos dividindo espaço com dejetos, ratos, morcegos e baratas (atrapalhando-os em seu habitat) ficam na vigília esperando o momento certo para dar o bote em você, que no seu menor vacilo, que é quando se ausenta para um passeio, uma viagem de lazer ou ir até a casa de algum parente distante ou mesmo para trabalhar, é nesse momento que essa escória vai atacar, invadir e roubar sua casa, quebrar suas coisas, matar seu passarinho, arrancar a cabeça do teu cachorro e outras horripilantes e criativas artimanhas mais, e reze para que tenha a sorte de não estar em casa, essa subgente não tem nenhuma compaixão. E você, nobre cidadão que paga 40% da merreca que ganha em impostos (de novo, compulsoriamente), o qual vomitei lá no início fica como espectador inerte do caos. Estou ouvindo alguém perguntar ‘e as autoridades, policiais e as outras?’ Essas ‘outras’ autoridades são aquelas que recentemente apareceram como um relâmpago no teu portão ou no Teatro dos Vampiros, que são conhecidos também como TV, para se apresentarem como grandes homens, cidadãos acima de qualquer suspeita, os sujeitos perfeitos para administrar sua cidade e te representar dignamente, alguns até fazem jus a essa estirpe, mas são raros. Passado aquele momento de euforia e êxtase você se pergunta: Cadê eles, os outros? Respondido: Não faço ideia? Daqui exatos quatro anos, eles voltarão no seu portão.
E os policiais, nobre profissão, assim como os professores são responsáveis pela educação e instrução para formar cidadãos de bem, os policiais são os guardiões da segurança da população para que se sintam protegidos e seguros e tenham uma vida com mais qualidade e paz, mas estes quando são questionados sobre suas ações contra essa bandidagem prontamente te respondem em uníssono e brevíssimo discurso que ‘a nossa cidade não tem efetivo suficiente para patrulhar todos os bairros’, daí você retruca: ‘o que é que eu tenho a ver com isso se já fui informado aqui mesmo que estou sendo desfalcado em pelo menos 40% de minha conta sem minha autorização?’ ‘Cadê essa dinheirama toda?’ Você, cidadão de bem, tem total razão, mas os policiais também estão repletos de razão, ficam de mãos atadas tendo que patrulhar uma área muito extensa com poucos funcionários. E é aí mesmo nesse exato e preciso momento que entram aqueles ‘outros’, são os administradores do município, devem zelar por ele e por seus cidadãos e cidadãs, foram eleitos para isso, estão lá por vontade da maioria da população, nesses municípios, em todos eles, existe um Plano Diretor Municipal, mas raramente são respeitados ou nem mesmo colocados em prática, estão mofando lá nas gavetas das prefeituras. O executivo que gere todos os setores de uma administração deverá solicitar junto ao Estado e à Federação recursos para todos os setores, inclusive para segurança do município para amenizar a vulnerabilidade de seus moradores, não é nada de excepcional, é apenas o cumprimento de seu dever. Sendo assim, os cidadãos e as cidadãs honestos e trabalhadores, agradecem.
Tardinha, quase noite (é o tal happy hour que sua esposa adora dizer com um sotaque sofrível), você e ela chegaram do trabalho, estão, como de costume, na varanda contemplando o movimento da rua felizes da vida bebericando suas cervejinhas geladas, ela, a geladíssima Skol e você, sua deliciosa Heineken, mas não estão sentados em suas cadeiras, aquelas cadeiras de fio trançado bem bacana que você ‘namorava’ nas varandas das casas e sempre sonhou em ter uma igual até conseguir comprar pagando a última parcela dia desses, uma azul e outra vermelha, a azul era sua e a vermelha era dela, sim, isso mesmo que você ouviu, ERA, já que dia desses vocês precisaram se ausentar por alguns dias por um motivo mágico e quando retornaram contaminados da mais inacreditável felicidade e ao chegar em casa perceberam que suas cadeiras já não mais lá estavam, aquela galerinha do mal que vive lá no mais esquálido submundo que eu tive o desprazer de vos apresentar lá em cima espertamente se aproveitou da vossa ausência (vacilo) e visitou sua casa levando com eles suas cadeiras recentemente quitadas, a sua azul e a vermelha de sua esposa, ah, e levaram de ‘brinde’ as duas cadeiras de praia também, você ficou triste, frustrado, mas continuará trabalhando, pois, continua a ser um homem digno, para comprar outras duas cadeiras de área de fio trançado e aqueles sujeitos que não trabalham ficarão na espreita para surrupiar suas novas cadeiras de fio trançado uma vez que essa corja tem permissão constitucional para cometer atrocidades já que são na maioria ‘di menor’, e você continuará trabalhando para poder comprar, entre outras coisas, novo par de cadeiras de fio trançado para sentar com seu bem, tomar umas cervejas e conversar sobre como foi seu dia de trabalho, e aqueles vagabundos que nunca trabalharam, não trabalham e jamais trabalharão ficarão eternamente à margem da sociedade esperando que alguém trabalhe por eles até sucumbirem à míngua com os 'produtos' barganhados lá nas 'bocas' do submundo pelo, inclusive suas duas cadeiras de fio trançado que eles roubaram de você e daqueles que trabalharam para eles, e por fim embarcarão em uma viagem de horrores sem volta com destino certo nas profundezas dos infernos.
Então, ano que vem você e sua esposa não irão para o litoral, não têm cadeiras onde se sentar para olhar o mar, as ondas do mar e as estrelas à noite.