
Vou aqui traçar um paralelo entre a sanidade e a imbecilidade. Para isso, vou citar alguns exemplos de acontecimentos rotineiros em nossa pátria. Vamos começar pela política, assunto que, a partir de um passado recente, todo mundo por aqui resolver abraçar, viramos especialistas de uma hora para outra. A maioria dos filmes de gângsteres tem como pano de fundo uma família ou famiglia, e por aqui não foi diferente. Como num passe de mágica um tal clã emergiu de algum buraco escuso anunciando a gestação do 'ovo da serpente', eles carregam consigo a capacidade de uma barata quando o assunto é governança. Há anos vivem às custas do Estado, todos eles sofrem de ergofobia crônica, se virem uma Carteira de Trabalho, saem correndo ou sacam uma arma, e é sabido que são chapas da milícia carioca. São mitômanos de nascimento com aversão à verdade e simpáticos à regimes de ditadura. O último político a nos governar faz parte dessa linhagem, é o chefe, Capo di tutti capi, hoje agoniza merecidamente no cárcere onde passou de bravateiro a coitadinho. Nos quatro infindáveis anos em que esteve no poder foi de um sarcasmo abismal e uma incompetência colossal, assistimos a um filme catastrófico passando como um tsunami bem diante de nossos olhos. Em um dos muitos devaneios demoníacos vomitados por aquele senhor que literalmente passeou pelo país brincando de ser presidente, fomos subliminarmente classificados como ‘idiotas úteis’. Talvez, nós, brasileiros, sejamos mesmo muito feios, sujos e inúteis, já que um ser tão obtuso se presta na arrogância de fazer uma declaração assim, nos colocando nesse patamar.
Será que ele tinha razão, será que somos ou distraídos demais ou miseravelmente burros?
Vejamos.
Para começar essa patifaria, que tal alguém tentar explicar o motivo de estarmos há 526 anos à mercê de bandidos e corruptos, e, não raro, criaturas ignobilmente imbecis a nos governar, sejam sentados nas cadeiras dos poderes ou na ânsia de fazê-lo. Parece carma, fica a impressão de que gostamos de ser ferrados, e, com a sensatez de uma lontra brigamos com todo mundo defendendo essa corja. O filósofo do fim do mundo profetizou que ‘nada é tão ruim que não possa piorar’, surge das profundezas lamacedntas do Armagedom um sujeito conhecido por Zero Um (vejam só) seguindo a mesma cartilha medonha do papai, algo como uma toniturante paródia do caos. Esse cidadão que almeja dar seguimento ao legado (Argh!) deixado por seu pai é peça desse clã e assim como o pai, não existe nada que o dignifique a ocupar tal cargo, muito pelo contrário. Com nítida intenção de entregar o Brasil em uma bandeja de prata para os EUA, incluindo-se aí as ‘terras raras’ (não são ‘terras’ nem exatamente ‘raras’, são na verdade elementos químicos aplicáveis nas indústrias e eletrônicos de consumo: são indispensáveis na produção de celulares, telas e baterias. Sem esses elementos, essa indústria seria inviável nos moldes atuais; Transição energética: as terras raras são cruciais para a tecnologia verde, sendo utilizadas na fabricação de veículos elétricos e turbinas eólicas). Esse paspalho acredita ter os EUA e seu presidente aloprado como aliados nessa vigarice, mas os meios de comunicação são seus aliados e endossam toda essa orgia política. Apesar da política no Brasil render assuntos que não têm fim, vamos ficar por aqui, mas antes de finalizar, daremos uma olhadela para o momento político atual: pode até ser que nos restou sim uma centelha de inteligência e conseguimos até entender, ainda que vagamente, o que significa o termo ‘polarização política’, quando não existe meio termo, e decidimos que a metade do país torce para um time e a outra metade torce para o outro, ambos da mais reles categoria varzeana. Enquanto isso o circo de horrores nos é apresentado por atores canastrões, e, nós, os do lado de cá, os chamados ‘‘pobres diabos” aplaudimos feito hienas babentas retardadas. Bastante simples ou simplório, mas nada conveniente, já que por quatro ou oito infinitos anos uma turma ficará feliz da vida e a outra emputecida. E nesse vaivém idiossincrático o país desce se esfacelando rapidamente ladeira abaixo. É à isso que chamamos de Inteligência?
Agora vamos dar umas voltas por aí, pelas ruas. Nunca fomos patriotas, não gostamos do nosso país, da nossa Língua, de nossos concidadãos, da nossa cidade, nem da nossa rua e muito menos dos nossos vizinhos. Louvamos as marcas gringas, parece que o que vem de fora é muito melhor. A tal da ‘grama mais verde’ e a logística da burrice anunciada: exportamos o cacau pra importar o chocolate. Fomos colonizados e assim estamos, e essa postura nada mais é que total falta de identidade. O dramaturgo Nelson Rodrigues, também conhecido como ‘Anjo Pornográfico’ chamou essa presepada espetacular de ‘complexo de vira-lata. Somos todos cães sem donos sarnentos de rua.
Seguimos agora pelo trânsito, que é o horror. A cultura de um povo é medida de diversas maneiras, inclusive o comportamento no trânsito. Por aqui é o pior possível, não respeitamos nada, nem ninguém, somos os motoristas alucinados com sangue nos olhos em alta velocidade voando pelas rodovias e em plenas vias urbanas, não sinalizamos, nos semáforos, não temos a paciência de esperar até que a luz verde se acenda, trafegamos e estacionamos na contramão e em locais proibidos, como as rampas de acessos e vagas preferenciais, não respeitamos os pedestres, mesmo que nas faixas, disparamos a estridente buzina de nossos veículos sem necessidade em qualquer hora e qualquer lugar, dirigimos conversando e digitando ao celular, nos comportamos como motociclistas imbecis endemoniados com nossas motos barulhentas lembrando motores de enceradeiras em pane. Nas rodovias e nas cidades existem as placas de sinalização, estão ali para que nos oriente, mas na maioria das vezes não é isso que se vê, são meras ilustrações e os acidentes acontecem frequentemente, e nós, naquela análise de especialistas boçais já soltamos aquela frase feita genial: ‘essa estrada é muito perigosa’. Ato falho na concepção das assimilações as mais simples que custam caro, inclusive com vidas sendo abreviadas. Nas nossas cidades, trafegamos com nossos carros velhos (se forem novos, financiados estão) desviando de um buraco pra cair em outro. Para conseguirmos uma vaga para estacionar é uma aventura, apenas pagando mesmo e se tivermos sorte, a coisa piora para aquelas pessoas com dificuldades de locomoção ou necessidades especiais que têm raras vagas rotativas e ainda assim estão distantes de seus destinos e sempre ocupadas. Mas não nos preocupemos, os impostos chegarão em nossas casas ou empresas religiosamente, isso quando não são cobrados compulsoriamente, e nós, como cidadãos e cidadãs bons pagadores de taxas que somos, pagaremos (teremos de pagar). Fiquemos tranquilos, eles parcelam para nós. O mais interessante dessa comédia trágica é ouvirmos esses políticos ordinários berrando discursos oportunistas defendendo as pessoas desfavorecidas, uma hipocrisia atrás de outra. Canalhas disfarçados de samaritanos.
A educação, pobre de nós. O escritor Monteiro Lobato disse que “um país se faz com homens e livros”. Pois é, só que por aqui temos livros aos montes, mas pouquíssimos ‘homens’. No Brasil, a educação, aquela ministrada na escolas, que poderemos classificar como a fase de instrução e conhecimentos, é tratada como lixo, nossos governantes são em sua maioria pessoas desprovidas de bom senso, não se importam com seus cidadãos, empurram a educação para o limbo, para debaixo do tapete, temos claramente bem debaixo de nossos narizes o desmonte monumental da educação há tempos. Temos a educação lapidada pelas famílias, que também fica muito a desejar, e é por isso que somos mal educados, jogamos papéis e demais objetos nas ruas, despejamos descaradamente nosso lixo nos terrenos baldios, interrompemos sem qualquer sutileza a fala de outra pessoa, e uma série de aberrações.
O ator e comediante britânico Ricky Gervais disse que “Quando você morre, você não sabe que está morto e por isso quem sofre são os outros. É a mesma coisa quando você é idiota”. É isso!
Estamos entoando o refrão “Pra frente Brasil” desde 1970, acho que chegou a hora de dobrar essa bula amarga de letras miúdas, inúteis e incompreensíveis e olharmos para trás do nosso Brasil, para os anos passados desde seu achamento por um português aloprado e desorientado lá no ano 1500 e nos conscientizarmos e promover uma virada drástica ou nos conformarmos de que não existe qualquer esperança que isso mude algum dia, que somos um país improvável repleto de párias.
O consolo, se assim for, é que não estamos sós, o mundo sempre esteve em guerra e assim continua, isso já coloca várias pessoas no mais alto patamar das idiotices. E nem pensem em colocar a culpa em Deus, Ele não aprova os ‘Senhores da Guerra’.
Sem que precisemos tirar coelhos da Cartola, sabemos que o mundo é um moinho e é também um hospício.
Altair José