"Bossa nova mesmo é ser presidente
Desta terra descoberta por Cabral
Para tanto basta ser tão simplesmente
Simpático, risonho, original.
Isso é viver como se aprova
É ser um presidente bossa nova
Bossa nova, muito nova
Nova mesmo, ultra nova."
Chuca Chaves
Parece que tivemos um quadriênio entre 2019 e 2022 da mais perfeita administração de um país em todos os tempos, é o ideal para qualquer nação e o sonho de todos os povos, pois segundo alguns simpatizantes-analistas-economistas-especialistas sempre de plantão e com as alfinetadas afiadíssimas que mesmo a carruagem seguindo seu curso numa marra desgraçada ainda se manifestam em celebrações com estatísticas as mais promissoras daquele período. Pelo retrovisor de um espelho mágico sem 'ponto cego' seus respectivos atores e suas ufanias visualizam que tudo correu maravilhosamente bem. Vamos tentar entender essa euforia toda passando por algumas pastas governamentais importantes e seus respectivos comandantes que reinaram naquele momento deveras sublime.
Comecemos pela SAÚDE que comprovadamente sempre foi precária em nosso adoentado país. Naquele momento a prova foi de fogo e a campanha de vacinação diante de uma terrível e mortal pandemia quando cuidadosamente foram nomeados ministros que conduziram com maestria aquela situação tão assustadora quanto calamitosa na mais perfeita sintonia com as necessidades da apreensiva e apavorada população. Vamos aqui analisar os protagonistas e suas condutas. Primeiro o senhor Dr. Luiz Henrique Mandetta, médico ortopedista desembarcou vindo lá do Mato Grosso do Sul, o pantaneiro nem teve tempo de pendurar seus certificados e diplomas nas paredes de seu gabinete, parecia incomodar demais seu chefe, o vaidoso "presidente bossa nova", já que estava se saindo muito bem no cargo e roubando os holofotes para si, afinal o ator principal tem suas vaidades e deve privar por sua preferência diante de seus atentos espectadores, mesmo que o filme seja um lixo. Disse assim o mitológico "presidente bossa nova": houve um 'divórcio consensual' entre eu (sic) e Mandetta. O ministro aspirante a destituição cometeu o grande erro de bater de frente com o marrento "presidente bossa nova" ao tentar recomendar o isolamento social na pandemia, o que irritou demais o chefe que alegava ser essa uma medida desnecessária já que a população tinha que trabalhar para comer e que aquele alarde todo era bobagem, pois que tudo não passava de um 'gripezinha': saúde!!!!! Para informação apenas: pesquisa feita em 2020 comprovou que a gestão de Mandetta tinha aprovação de 76% da população, sendo que 82% dessa aprovação era de eleitores do alegórico “presidente bossa nova”. Mandetta, em mais uma desobediência demissionária foi radicalmente contra o uso do "kit covid”, “tratamento precoce da covid-19” que incluia drogas como hidroxicloroquina, ivermectina, nitazoxanida, azitromicina e corticosteroides sistêmicosa no combate ao coronavírus, quando o conselheiro “presidente bossa nova”, mesmo não sendo médico (longe, mas muito longe disso), recomendava acintosamente seu uso, sendo que, coincidentemente, se observou um vertiginoso aumento nas vendas desses medicamentos, e para piorar, criticou veementemente a passeata promovida pelo festeito “presidente bossa nova”, por descumprir o isolamento social que em resposta o irritadíssimo “presidente bossa nova” disparou: ‘alguns ministros haviam se tornado estrelas’ e que ‘não tinha medo de usar a caneta’. E assim se fez, por fim, Mandetta foi sumariamente demitido e seguiu sua vida, tem um livro publicado "Um Paciente Chamado Brasil: Os bastidores da luta contra o coronavírus", sobre os bastidores da luta contra a COVID-19 no Brasil durante sua gestão como ministro da Saúde. Depois surgiu do do nada e meio do nada um médico oncologista, o Dr. Nelson Luiz Sperle Teich (pronuncia-se Taichi), que até hoje não sabe onde estava, porquê estava, o que aconteceu, como saiu e nem onde está, mas antes de pegar seu jaleco profanou a tradicional e famigerada frase, disse: "saúde e economia não competem", ninguém deu bola. Durante aquela festança macabra caiu de paraquedas um militar, o general Eduardo Pazuello, especialista em munição e também coordenador de tropas dos jogos olímpicos do Rio de Janeiro em 2016, que nas horas vagas cuidava dos refugiados da Venezuela em Roraima, perfil perfeito para o cargo, o generoso "presidente bossa nova" promoveu o general como 'especialista em logística' no Ministério da Saúde, mais tarde, foi divulgado que Pazuello não tinha formação acadêmica na área, mas é claro que para aquele governo isso não tinha qualquer problema. No dia 6 de junho de 2020, o ministro-general retirou do ar os dados dos mortos de Covid-19, e é óbvio que fez isso sem nenhum critério, mas com as melhores das intenções, sendo que, em uma atitude sensibilíssima, posteriormente, o ministério reverteu a decisão, e depois em 2021 o general foi designado pelo mesmo bondoso "presidente bossa nova" secretário de 'Estudos Estratégicos da Secretaria de Assuntos Estratégicos' (quaisquer semelhanças com os personagens do Monty Python, Woody Allen ou do Mel Brooks e as hilárias tiradas do Ariano Suassuna são mera coincidência), e nessa suntuosidade pleonástica seguiu-se a campanha às mil maravilhas. Ou seja, era sem dúvida o exímio profissional tão perfeito para o cargo da saúde naquele momento trágico. Este é o senhor Eduardo Pazuello, que também não tinha muita noção de onde estava que logo de cara já foi receitando hidroxicloroquina e cloroquina para toda a população alegando sua fidelíssima subserviência ao seu mestre, o especialista farmacológico "presidente bossa nova": 'um manda, outro obedece', junto a esse provérbio tão patologicamente verdadeiro quanto distorcido saiu-se pela tangente, mas não foi por intermédio do padrinho "presidente bossa nova" já que era seu amigo particular das churrascadas em seu condomínio Vivendas na Barra da Tijuca, baixo nobre do Rio, aliás, o chefe-mor do executivo estava rodeado de amigos nomeados por ele, uma epécie de nepotismo brando, prática comum em sua gestão, mas o que fazer se ‘amigo é pra essas coisas’. Pazuello foi tão extraordinariamente eficiente que hoje veste a toga de deputado federal pelo seu Rio de Janeiro: 'Olha que coisa mais linda, mais cheia de graça...' E por fim mais um médico, o cardiologista Dr. Marcelo Antônio Cartaxo Queiroga Lopes, que já ocupara a cadeira da presidência da Sociedade Brasileira de Cardiologia, de 2020 a 2021, currículo mais que perfeito, Queiroga é também dono de frases e gestos impagáveis: durante a 76ª Assembleia Geral da ONU, em Nova York, no dia 20 de setembro de 2021, ele respondeu com gestos obscenos a um protesto de brasileiros, toda a comunidade virtual comentou e muitos comemoraram, uma tremenda festa tupiniquim lá pelos lados dos EUA, país tido como o Eldorado da famiglia. E mais essa, apesar de a Anvisa à época da pandemia já ter autorizado a utilização da vacina da Pfizer para Covid-19 em crianças de 5 a 11 anos, o Ministério da Saúde sob sua batuta postergou sua posição oficial para 5 de janeiro de 2022 (data limite estipulada). Ao ser questionado sobre o caso, Queiroga afirmou que "a pressa é inimiga da perfeição", uma frase bastante significativa para um ministro e para o momento, e para acabar, soltou essa sobre ser contra o passaporte vacinal "era melhor perder a vida do que a liberdade", genial, não? Ao menos ele mostrou conhecer a letra do hino da independência. Acabou ficando por lá até o fim do mandato daquela equipe de ouro. Queiroga nas eleições de 2024, foi candidato a prefeito de João Pessoa seu Estado de origem, sendo derrotado no segundo turno por Cícero Lucena (PP). Todos esses ministros foram comprometidíssimos com a causa deixando um legado invejável para seus sucessores, o nosso SUS se equiparando aos serviços de atendimento dos hospitais lá dos longínquos e inalcançáveis países do primeiro mundo, contamos 'apenas' 700 mil mortes na pandemia da Covid-19 (desconsidenato a subnotificação), com exemplos de como se conduz uma pandemia o Brasil continuou a ser referência mundial nas vacinações e a população 'vendendo' saúde.
Não nos esqueçamos do MEIO-AMBIENTE que sempre foi uma preocupação mundial. Em 9 de dezembro de 2018, poucos dias antes da posse do iluminado governo, foi anunciado como ministro do Meio Ambiente do governo do ecologista "presidente bossa nova" o senhor Ricardo de Aquino Salles, advogado e administrador, foi também secretário particular do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, de 2013 a 2014, e Secretário do Meio Ambiente de São Paulo de 2016 a 2017, nomeado por Alckmin. Fundou, em 2006, o Movimento Endireita Brasil (MEB), organização alinhada à chamada nova direita e parceira do Instituto Millenium, em sua pauta, assuntos muito importantes, ele alegou ter como prioridades a agenda ambiental urbana, o combate ao lixo do mar e agilidade de processos de licenciamentos. Que espetacular! De novo acertaram a mão na escolha. Segundo atestam os muitos entusiastas das plataformas virtuais de agora, naquela gestão aconteceu a mais inacreditável preservação ambiental, reflorestamentos por todo o território nacional, um cuidado esmerado com as florestas, em especial a Amazônica que praticamente teve zero desmatamento, nosso santuário, o Pantanal, ficou ainda mais deslumbrante, o céu abria em um azul gritantemente lindo, já que as queimadas eram raríssimas, e, vamos dar um destaque todo especial àquele ministro seriíssimo que também tinha suas frases marcantes, entre elas, a mais sensacional e já histórica: "Estamos nesse momento de tranquilidade no aspecto de cobertura de imprensa, porque só fala de covid-19, e ir passando a boiada e mudando todo o regramento e simplificando normas”, essa beldade foi dita naquela emblemática reunião ministerial do dia 22 de abril de 2020 quando vários políticos, liderada pelo Capo di tutti capi "presidente bossa nova", com um dicionário repleto de palavrões e discursos inflamadamente irônicos transformaram o Brasil em um país realmente abençoado por Deus. Que sujeito espetacular esse senhor Ricardo Salles, que visão futurista, que comprometimento, tanto que este caro senhor caiu nas graças da população paulista que o elegeu com sobras para o cargo de deputado Federal e continua assim passeando pelos corredores de Brasília até hoje. Na minha humilde opinião, acho que nos congressos mundiais sobre meio-ambiente realizados regularmente, esse cidadão deveria ser sempre o convidado de honra, como agora, em 2025, na COP 30 no Pará.
E o que dizer da tão confusa ECONOMIA? Foi trazido diretamente de Chicago, nos Estados Unidos, para gerir a pasta o ultraliberal senhor Paulo Roberto Nunes Guedes, também conhecido nos palcos acadêmicos como Chicago Boy, ex-banqueiro, uma pessoa, segundo sua própria definição, inteligentíssima (um superlativo absoluto sintético bastante utilizado hoje em dia), oriundo de escolas conceituadas de economia. Nos anos 1980 vai para o Chile, onde é recrutado por Jorge Selume, ex-diretor de Orçamento do governo daquele país, Guedes queria conhecer em primeira mão as reformas que os Chicago Boys estavam promovendo por lá e afirmava pretender fazer no Brasil as reformas que foram feitas no Chile durante o governo do asqueroso ditador Augusto José Ramón Pinochet Ugarte: autonomia do banco central, câmbio flutuante, equilíbrio fiscal (equilíbrio entre receitas e despesas públicas) e previdência social no regime de capitalização. Não conhecia muito os problemas do Brasil, só o que ouviu falar, mas isso não foi problema, chegou como o salvador da lavoura e parece que realizou muito bem a lição de casa, os brasileiros nunca estiveram tão bem representados, seu poder de compra aumentou consideravelmente, conseguiram até almoçar e jantar todos os dias e foi tanta felicidade que até para a Disney puderam passear, inclusive as empregadas domésticas (palavras dele), era uma festa, já que, segundo sua própria análise, ‘taxa de câmbio mais alta é bom pra todo mundo’, a esperança estava estampada nos rostos felizes da camada mais desfavorecida da população e para a outra camada, aquela das mansões da zona sul, nada mudou, também não ficou de fora das frases espertas: "Eu, se fosse o honestíssimo “presidente bossa nova", diria: tudo o que o outro presidente fizer, eu faço mais. Porquê? Porque nós roubamos menos...Nós não roubamos", disse essa pérola durante um evento na Associação Comercial de São Paulo em 2022.
'Parabéns
Parabéns
Hoje é o seu dia
Que dia mais feliz
Parabéns
Parabéns
Cante novamente
Que a gente pede bis.'
No fechamento com 'chave de ouro' de seu reinado, reverberou uma série de reportagens baseadas em um megavazamento de dados sobre empresas offshore (expressão inglesa que significa "fora da costa" e se refere a uma forma de investir no exterior: uma empresa offshore é uma sociedade anônima criada em um país diferente do de origem de seus dirigentes. Uma conta offshore é uma conta bancária aberta em um país diferente do de residência do titular. As offshores são muitas vezes abertas em paraísos fiscais, que são países ou territórios com políticas de redução ou isenção de tributos. O objetivo é aproveitar os benefícios tributários, como baixas alíquotas ou isenção de impostos). Em 3 de outubro de 2021, conhecida como Pandora Papers e divulgados pelo Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos, revelou que ele mesmo, senhor Paulo Guedes, era dono de uma offshore no paraíso fiscal das Ilhas Virgens Britânicas. Estranhamente o ministro da economia aplicando seus tostões em outras praças ao invés de estimular a economia de seu próprio país. Isso não é nada, após a derrota não digerida e indigesta nas Eleições para presidente em 2022, Guedes, da mesma maneira que surgiu, desapareceu, provavelmente está usufruindo daqueles dividendos dos seus offshores. Depois de tanto trabalhar, foi merecedor de longas férias, afinal ninguém é de ferro, né não? Recentemente, seu nome voltou a aparecer nas mídias, caso o prefeito atual de SP vença as eleições no segundo turno, já está prometido o cago de secretário da Fazenda do município para alegria dos apalermados 'pobres da direita'. Mas não rolou e ficou o fito pelo não dito.
Que felicidade (que felicidade)
Que felicidade (que felicidade)
Como nenhuma nação decola se não houver uma atenção maior à EDUCAÇÃO, vamos analisar a gestão daquela comprometida gestão que naquele momento nunca esteve tão em evidência, os responsáveis e ministros, que também foram vários, da mais admirável capacidade colocando o país em níveis históricos de excelência, tudo bem que um deles confundiou o Kafka com a cafta, mas todos cometemos gafes afinal, e o que dizer do ENEM, foi disparado o melhor de todos, o doutrinado ‘presidente bossa nova’ afirmou que ‘o ENEM começa agora a “ter a cara” do governo e que ninguém precisa estar preocupado com aquelas questões absurdas do passado', e a respeito das trocas frequentes dos ministros, o catedrático "presidente bossa nova" explicou assim: 'Vai pra puta que o pariu, porra! Eu que escalei o time, porra! Trocamos cinco. Espero trocar mais ninguém! Espero! Mas nós temos que, na linha do Weintraub, de forma mais educada um pouquinho, né? É de se preocupar com isso. Que os caras querem a nossa hemorroida! É a nossa liberdade! Isso é uma verdade." Uma declaração assim deixaria o senhor Winston Churchill morrendo de inveja. Com tamanha atenção as universidades não sabiam o que fazer com tantas verbas recebidas com as pesquisas acontecendo a todo vapor e de forma prodigiosa. Aqui estão os atoresque representaram aquele espetáculo: Ricardo Vélez Rodríguez, colombiano naturalizado brasileiro, ficou quatro meses, entre suas imprescindíveis medidas Vélez pediu revisões em livros didáticos sobre a Ditadura Militar no Brasil em que propunha trocar a forma como o período é ensinado nas escolas. Além disso, também determinou que as instituições filmassem as crianças cantando o hino nacional. Uma de suas falas bastante comentada é de quando ele disse que o brasileiro parece um "canibal" quando viaja ao exterior e "rouba coisas dos hotéis". Foi exonerado após enfrentar "disputa interna" dentro do próprio MEC, devido a desentendimentos entre militares e seguidores do escritor seguidor da divindade "presidente bossa nova" Olavo de Carvalho, uma espécie de 'guru' da família do esotérico "presidente bossa nova". Seu substituto foi o senhor Abraham Bragança de Vasconcellos Weintraub. A gestão de Weintraub foi marcada por problemas como a falha na correção e atribuição de notas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), além do conflito com diversos setores acadêmicos. Porém, a permanência do economista no cargo ficou realmente instável após ele ter virado alvo de um inquérito do Supremo Tribunal Federal (STF) que investigava notícias falsas e ataques contra a Corte, já que, em uma reunião com o diplomático "presidente bossa nova", o ministro ofendeu e defendeu a prisão dos ministros do Supremo e participou de uma manifestação pedindo o fechamento do Congresso e do STF. Pouco depois, o apaziguador "presidente bossa nova" afirmou que o então ministro não foi "prudente" ao ir ao ato e que esse era um problema que ele estava tentando "solucionar". Com a saída de Weintraub, Antônio Paulo Vogel de Medeiros assumiu o posto interinamente. Antes de chefiar o ministério, Vogel ocupava o cargo de secretário-executivo, considerado o "número dois" de Weintraub. Depois, Carlos Alberto Decotelli chegou a ser anunciado, mas não tomou posse. O nome do também economista foi publicado no Diário Oficial, mas, cinco dias depois, ele se reuniu com o democrático "presidente bossa nova" e entregou uma carta de demissão. Mesmo sem ter assumido a pasta, Decotelli acumulou polêmicas em sua curta passagem pelo MEC, principalmente por diversas incoerências em seu currículo profissional. As Universidades de Rosário (Argentina) e Wuppertal (Alemanha) negaram que o ex-ministro tivesse concluído, respectivamente, os programas de doutorado e pós-doutorado nas instituições. A gota d'água foi quando a Fundação Getúlio Vargas (FGV) também apontou inconsistências de Decotelli, afirmando que ele nunca foi pesquisador ou professor das escolas da instituição, como ele dizia em entrevistas e como constava no currículo dele. Depois de Decotelli, Milton Ribeiro foi o nome anunciado pelo inconstante "presidente bossa nova" para assumir o cargo e também o que ficou mais tempo frente à pasta da Educação durante este governo. Pouco tempo após ser empossado, a primeira polêmica de Ribeiro foi quando relacionou a homossexualidade a "famílias desajustadas", o que fez com que a Procuradoria-Geral da República (PGR) o denunciasse ao STF pelo crime de homofobia. Ele também foi bastante criticado ao falar que "há crianças com deficiência que é impossível a convivência", precisando ir ao Senado dar explicações. Além de ter a gestão marcada pelo maior número de abstenções do Enem e atraso na realização das provas, durante o comando de Ribeiro, houve a debandada de funcionários do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). Duas semanas antes da aplicação do Enem, servidores do Inep pediram demissão na pior crise institucional envolvendo o instituto, justificando a decisão por falta de gestão, assédio moral e ingerência do ministério na autarquia. O Tribunal de Contas da União (TCU) abriu uma investigação para apurar irregularidades na organização da prova e no Inep. Ribeiro deixou o cargo dez dias após a denúncia envolvendo dois pastores que atuavam como lobistas e pediam propina a prefeitos para destravar recursos da Educação. Um inquérito foi aberto pela Polícia Federal para apurar o caso após um pedido da PGR, que viu indícios dos crimes de corrupção passiva, tráfico de influência, prevaricação e advocacia administrativa. Por fim, o instável "presidente bossa nova" nomeou Victor Godoy Veiga que atuou como Ministro da Educação que ficou de abril a dezembro de 2022, após assumir o cargo de forma interina em março de 2022. Sua nomeação ocorreu após a renúncia de Milton Ribeiro, em meio a denúncias de corrupção, e ele já era secretário-executivo do ministério desde 2020. Godoy é auditor de carreira da Controladoria-Geral da União (CGU) e sua gestão foi marcada pela continuidade das pautas de seu antecessor.
Como não poderia deixar de fora Sua Magestade, o Hórus vivo daquele reinado tão iluminado, o orador “presidente bossa nova" foi campeão absoluto das emblemáticas frases. Foram infinitas profanações vomitadas ao longo dos quatro anos daquela administração, eis algumas delas.
Sobre a pandemia da Covid-19:
O debochando “presidente bossa nova”:
"Muitas vítimas tinham alguma comorbidade, então a Covid apenas encurtou a vida delas por alguns dias ou algumas semanas."
"Eu não sou coveiro, tá certo?”
"Alguns vão morrer? Vão, ué, lamento. É a vida. Você não pode parar uma fábrica de automóveis porque há mortes nas estradas todos os anos."
"O povo foi enganado esse tempo todo sobre o vírus."
"O que esses caras fizeram com o vírus, esse bosta desse governador de São Paulo, esse estrume do Rio de Janeiro, entre outros… É exatamente isso. Aproveitaram-se do vírus. Tá uma bosta de um prefeito lá de Manaus agora, abrindo covas coletivas. Um bosta."
"Tem idiota que a gente vê nas mídias sociais, na imprensa, né?...Vai comprar vacina. Só se for na casa da sua mãe."
"Sabe qual a minha resposta? Caguei. Caguei para a CPI, não vou responder nada!"
Em visita a um quilombola em 2017:
“Eu fui num quilombo. O afrodescendente mais leve lá pesava sete arrobas. Não fazem nada! Eu acho que nem pra procriador ele serve mais. Mais de 1 bilhão de reais por ano é ‘gastado’ com eles”.
“Conseguiram te levantar, porra? Tu pesa o que? Mais de sete arrobas, né?”
“Sabia que já fui processado por isso? Chamei um cara de oito arrobas e…”
O libidinoso "presidente bossa nova" sobre as meninas venezuelanas:
"Sempre usei 'pintou um clima”
“três, quatro, bonitas, de 14, 15 anos, arrumadinhas, num sábado, em uma comunidade, e vi que eram meio parecidas. Pintou um clima, voltei”. Ele também insinuou que as garotas se prostituíam. “Se arrumando no sábado para quê? Ganhar a vida”
Sobre a dizimação dos índios Yanomamis:
O indianista "presidente bossa nova" usou o então Twitter para afirmar que "nunca um Governo dispensou tanta atenção e meios aos indígenas como no dele."
Não era segredo para ninguém seu ranço com a imprensa em geral: Durante um almoço numa churrascaria, o desbocado "presidente bossa nova" mandou todos à “puta que o pariu” e pediu aos jornalistas “de merda” que enfiassem latas de leite condensado “no rabo”: ‘Vai para puta que pariu. É para enfiar no rabo de vocês da imprensa.’
Óbvio que essa brilhante turma sabe quem foi Marco Túlio Cícero (106 - 43 a.C - advogado, político, escritor, orador e filósofo da *Gens Túlia da República Romana eleito cônsul em 63 a.C). Cícero é o dono dessa frase com relação aos crimes políticos: ‘Salus populi suprema lex’, que em bom português quer dizer ‘Seja a salvação do povo a lei suprema'.
* Gens é um termo que, na Roma Antiga, representava a identidade familiar de um determinado conjunto de famílias, largamente inscritas na aristocracia romana. Os membros da gens encontravam-se ligados pela concepção do genus, de uma linhagem definida pela ancestralidade e por feitos militares de seus antepassados.
Dobrada, 2024

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