quinta-feira, 15 de agosto de 2024

O IMBECIL FELIZ



                                                        

Na psiquiatria, a normalidade é uma ficção, todo adulto vivo tem problemas, exceto aquele que está invariavelmente feliz, ou seja, no mais singelo adjetivo é um estúpido, um sujeito alheio às algúrias desse inferno astral que transformamos nosso planeta e ainda teimamos classificar seus habitantes de seres racionais, sendo para consolo, se assim for, que esse mundo é um lugar muito mais simplório para esse tipo de gente. 

Efeito Flynn: até 2010 o QI (Quociente de Inteligência) subia 3 pontos por década. Os filhos eram mais inteligentes que os pais, a partir daí a curva começou a cair. Efeito Flynn é o nome dado para o aumento constante do índice de acerto média da população mundial nos testes de QI, tem esse nome em alusão ao psicólogo americano James Flynn, que em 1982 o identificou e documentou após analisar os manuais americanos para testes de QI e perceber que esses testes eram revisados a cada 25 anos ou mais. Explicações possíveis para o Efeito Flynn, incluem a melhoria na nutrição, menos doenças infecciosas, mais educação (e mais produtiva), e ambientes mais estimulantes.

Georges Bernanos, escritor e jornalista francês, era um católico romano com inclinações monarquistas, um grande crítico da "burguesia" de sua época, que identificou como tendo um forte sentimento a que ele chamou 'derrotismo', sobre essa peculiaridade do ser humano, disse: "Se o otimista é o imbecil feliz, o pessimista nada mais é que um imbecil infeliz." Fiódor Mikhailovitch Dostoiévski foi um escritor, filósofo e jornalista russo e é considerado por muitos um dos maiores romancistas e pensadores da história, bem como um dos maiores «psicólogos» que já existiu, ao considerar a designação e etimologia mais ampla do termo, como investigador da psique, em seu livro Os Irmãos Karamazov, expressa uma ideia semelhante à de Georges Bernanos ao escrever: "É melhor ser infeliz, mas estar inteirado disso, do que ser feliz e viver como um idiota". No roubo descarado ao genial e estranhíssimo Friedrich Wilhelm Nietzsche - filósofo, filólogo, crítico cultural, poeta e compositor prussiano do século XIX, nascido na atual Alemanha -, “Não existem verdades, apenas interpretações”. A casta similar da coesão doentia da mais estranha junção de estupidez com a falta de originalidade supera qualquer tipo de engajamento sensato. A burrice, por mais ampla que possa ser, poderá ter seu momento de glória (não necessariamente os tais midiáticos quinze minutos), mesmo que ninguém se digne a se importar, ainda assim existirá sempre o bom samaritano que acatará essa turba de palermas em seus etéreos devaneios.
Nessa nossa era de cretinices abismais, as pessoas perderam de vez o senso da lucidez e flutuam na mais doce idiotia, rodopiam na simbiose panfletária em uma aguçada debilidade mental, o mundo está repleto de imbecis, são inacreditávies 8,3 bilhões de pessoas (2026) espalhadas pelo planeta azul e a maior parte desses indivíduos é assim, bostializada. A idiotização da sociedade parece ser um mal necessário, já que a satisfação está patente nos comportamentos, sejam eles questionadores ou não, na maioria das vezes não há esses questionamentos, mas sim a conformidade, já que existe uma enxurrada de informações e ainda assim a idiotice é aclamada suprema. Julgue-se a si mesmo e veja em qual fatia desse bolo azedo você se encontra ou se encaixa, nem pense em querer enganar-se a si mesmo se safando de tais predicados, suas atitudes estarão ali, e se não for capaz de distinguir isso daquilo ou aquele desse outro, então você corre o risco de ser um imbecil funcional conformado, algo assim como fumar ou se entupir de comida escondido. O poço é mais profundo e lodento do que você costuma acreditar. Caminhamos sem perceber ao lado de senhores ou seres das trevas alheios às críticas sensatas.
A aspereza do julgamento com impropérios ácidos aqui descritos não é de propósito, mas inevitável, o ser humano natural acredita que poderá suplantar sua inteligência de uma maneira bastante simples, como num passe de mágica, dormir apalermado e acordar mais inteligente, sim, os humanos acreditam nessa mutação intelectual cósmica tão grotesca quanto sua paquidermice, o paradoxo implantado em sua visão de mundo simples ou simplório chega a patamares desse nível. A sensatez do inimaginável, improvável ou do impossível não faz menções por ali. Talvez isso explique tanta imbecilidade praticada a todo momento por tanta gente. Arthur Schopenhauer, aquele filósofo alemão autor da seminal obra "O Mundo como Vontade e Representação" em que ele caracteriza o mundo fenomenal como o produto de uma cega, insaciável e maligna vontade metafísica, que com uma frase de apenas duas linhas coloca essa gentalha em seu exuberante lugar, na mais perfeita exposição do ridículo: ‘O conhecimento é limitado, só a estupidez é ilimitada’.
Aqui no nosso estranhíssimo país, a partir de uma época, não muito distante, alguns espertalhões decidiram rachar o mapa em dois pedaços, o que resultou na parte do lado direito e a parte do lado esquerdo, não implicitamente houve uma divisão homogênea dos cidadãos e cidadãs, ficaram todos misturados, uma espécie de Apartheid tropical, como uma salada de futas batida no liquidificador, uma atitude patética implantada à revelia por aqui, e como não poderia ser diferente, uma ideia notamente nada inteligente. A noção de direita e esquerda enquanto política está distante anos-luz da compreensão dessa cúpula de banzés e catapultou a população menos favorecida intelectualmente e alguns intelectuais postiços - o Brasil está repleto de imbecis com mestrado e doutorado - um diploma não exime a imbecilização da corte - assim como ironizou Elbert Hubbard - escritor, editor, filósofo e artista norte-americano -, "Um título universitário não te encurta as orelhas: só as esconde". Para uma falsa sabedoria cheia de arranhaduras e pseudo-revoltas invertem-se as alternativas sem o menor conteúdo de conhecimento, só invertem, apenas para contrariar a outra vertente, é um vaievém redundante, desinteligente e inútil, não serão, jamais, capazes de pensar diferente, estão mentalmente engessados, há um grande labirinto cerebral, discursam palavras sem a menor coesão para então pulverizar uma falsa comoção social fazendo com que a estupidez e a insensatez promovam toda essa alegoria grotesca camuflada de normalidade para assim acreditarem na salvação de todo o legado de destruição supostamente deixado por outros que passearam e continuam a passear pelos corredores palacianos esmagando tudo como um rolo-compressor. É um conceito cognitivamente corrosivo quando se é sabido que em uma nação como a nossa não existe solução, o estrago é gangrenoso e histórico e a cada ano que passa só piora, como um moto-contínuo, não há esperança, não há inteligência para isso, nem disposição política, tampouco dos senhores empresários e muito menos dos cidadãos comuns, são pessoas sem conhecimento ou preguiçosamente pensantes que insistem classificar tudo com etiquetas as mais absurdamente surreais, se você acredita na possibilidade de um dia esse motor fundido entrar em algum eixo, então você deve estar em outro planeta nesse momento, repare que a todo momento surgem novidades escusas. Assim, quando os ocupantes da tão almejada cadeira executiva são dessa ou daquela parte do mapa, um bloco fica feliz rindo à toa tão carrancuda como um cão buldog espumando pela boca soltando praguejos amaldiçoando a todos os seus supostos algozes, e nessa onda de beocidades a parte que cabe o lado direito da coisa claramente não aceita derrotas, nega tudo e a todos, passa batido pelos livros acreditando que pelo ferro e fogo se poderá resolver qualquer coisa, vangloriam torturadores como a um mártir e imploram por uma liberdade de fumaça quando ao mesmo tempo, em uma atitude tão inteligente quanto a de um coala embriagado pedem a volta de sistemas mais pesados que chumbo (como já disse, esses coiós querem distância das letras). Na contrapartida, os correligionários que são da parcela que cabe o lado esquerdo está fincada em uma marra antiquada de atitudes preservando o que há de pior nas vias que interessam aos cidadãos, não enterram as letras, ao contrário, e não desrespeitam as pessoas nem nada e é certo que não praticam as enjoadas e apimentadas mazelas partidárias da outra fatia, mas é certo que há a necessidade de que se modernizem em função de um mundo assim mais globalizado, está tudo aí pra que vejam e pratiquem, caso contrário ficarão rodando como baratas tontas nesse círculo infinitamente malogrado. E no meio dessa zorra toda estamos nós, sempre estivemos e assim morreremos.
Essa ignorância nada mais é que, segundo Karl Marx - filósofo, economista, historiador, sociólogo, teórico político, jornalista, e revolucionário socialista alemão -, “Uma sociedade se organizando politicamente para produzir pobreza”, e é óbvio que ele tinha razão já que tais traços funcionais do inconsciente coletivo foram chamados por Carl Gustav Jung - psiquiatra e psicoterapeuta suíço -, de ‘arquétipos’ que é um conceito que representa o primeiro modelo de algo, um protótipo, ou antigas impressões sobre algo.
Como nada disso faz qualquer sentido para esse pelotão entorpecido, parece então que estamos caminhando paralelamente ao caos instituído, e temos que conviver com algumas das piores idiotices que contemplamos no nosso dia a dia nesse mundo cascudo e nebuloso, não há uma reação para se modificar essa era das escancaradas hecatombes, ou seja, fomos lobotomizados e os efeitos colaterias com alterações severas e nossos cérebros burramente comprometidos.
Pois bem, não vou ficar ilustrando idiotices, balbúrdias, asnices e canalhices praticadas a todo momento pelos ocupantes dessa carruagem destrambelhada, nem será preciso, as situações aparecerão bem na sua cara, não se preocupe. É um maldito legado infinito.
Pra finalizar essa crônica apocalíptica, vou deixar pra vocês uma reflexão mais que verdadeira: quando se ri muito e de tudo ou é porque o sujeito é abastadamente rico, ou está desesperado, ou não sabe que vai morrer (por isso é tão feliz), ou simplesmente é um imbecil, fique à vontade para escolher.
 

 


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