sábado, 3 de fevereiro de 2024

VENTOS, VENTANIAS, VENTILADORES E UMAS COISAS

 


Caga-se muito no mundo, uma grandeza, uns mais outros menos, com exceção dos ácaros que não possuem cu e moram na sua cara, é certo que quase toda criatura viva caga, ou deveria. É um dos raros momentos em que todos são iguais perante o Cara lá e o espelho. Desaparece essa coisa de rico, pobre, branco, preto, amarelo, bicha, homem, mulher, criança, velho, mauricinho, patricinha, menina recatada e fresca, ou seja, tudo a mesma merda. O entusiasta diz: ‘adoro ler quanto estou cagando, é muito estimulante’, já o infeliz com intestino preso se descabela e sua frio, vive em um desesperador desconforto com a barriga estufada prestes a explodir a qualquer momento. E o que dizer do condenado com incontinência que entra em pânico sempre que a coisa resolve se manifestar, e nem escolhe hora nem lugar, a borbulhação é seu terror. Dizem ser uma arte, um pesadelo ou apenas necessidade fisiológica, não importa. Na bestialidade sarcástica que já se faz diária e cronologicamente obrigatória, tempos desses sugeriu-se praticar o ato revezadamente, uma espécie de rodízio bostiante, como se o metabolismo fosse controlado por nossa vontade. Falando da cagada figurativa, esse nosso mundo está, na trocadilha, infestado com atos de extrema baixeza, fala-se e faz-se muita merda sem o menor pudor e nenhum constrangimento, daí a coisa fede mesmo. Temos os pensadores que se dão ou se deram ao luxo de tomar ‘umas’ enquanto defecavam e defecam, com toda certeza esse ato solitário serve, serviu e servirá de inspiração para esses seres iluminados. O saudoso Bar-rock da cidade decorava com honras em meio à sua parede fanzinada seu guru ostentoso no trono. Salve, Buk! Os políticos são mestres soberanos em fazer cagadas, as fazem aos montes e a toda hora e nós que não temos quase nada a ver com isso, somos obrigados a limpar esse bolo fecal nojento e ainda engolir o excremento sem respirar e reclamando sempre, mas comemos tudo até lamber os beiços, adoramos comer merda que parece burrice, e parece que é. A Rita Jones poetizou sabiamente: Tudo vira bosta! É a pura verdade, basta mexer um pouquinho. Vira, mexe e remexe você manda seu amigo ir à merda por causa de um grande filho da puta que está te surrupiando e enchendo sua cara com um monte de estrume e você, estupidamente, continua saboreando seus dejetos como um coelho orelhudo e coprofágico, a obtusidade parece fazer parte da camada de seres com mentes obsoletas e econômicas onde deixa a impressão de que só têm merda ali dentro, existem aos monte por aí. Na TV só tem estrume e porcaria, gente hipócrita berrando asneiras e asnices, políticos se superando nas mazelas, notícias manchadas de sangue, balas perdidas zunindo pelos ares, hospitais ao deus-dará, cidadãos sobrevivendo no inferno, gente morrendo por conta da ganância desmedida dos empresários que estão cagando para a coisa. O planeta parece ter se transformado em um imenso bosteiro que agora arde em flatulências gaseificadas como um gêiser preste a explodir. Você que, vez ou outra, adora jogar merda no ventilador, sabe que é uma atitude tão impensada quanto cretina, mas tem necessidade disso, o ser humano é assim, desprovido de bom senso e gosta do mal feito só pra ver coisa feder, azedar e se divertir.

O Tom cantou assim um dia: “Viver no exterior é bom, mas é uma merda. Viver no Brasil é um merda, mas é bom. Então, vive-se assim.

Mas que merda! Acabou, preciso “ir”.  

Altair José

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