Somos 47
milhões, 22% da população do Brasil, dito o Estado mais rico da federação, se
fosse um país, estaríamos entre as 20 maiores economias do mundo, está em nosso
brasão: Pro Brasilia fiant eximia (latim) "Pelo Brasil
faça-se o melhor", e somos também os maiores devedores da União, pegamos e não pagamos. Elegemos gente que nem sabe onde fica a Avenida Paulista. Nos tornamos réus por escolha, estamos caminhando
sobre trilhos de trens há muito tempo, não raro nos são dadas chances de
ouro de mudança, mas somos marrentos, teimosos e masoquistas, gostamos de
'deixar como está, pra ver como é que fica', parece idiotice,
mas é só insegurança, medo do novo, de arriscar, 'em time que
está ganhando, não se mexe', mas acontece que estamos perdendo, perdendo
feio, de goleada já faz tempo. Somos funcionários públicos por opção, por
amor, por necessidade ou apenas porque queremos, e muitos de nós, concursados,
coisa raríssima nos bastidores dos palacetes país afora. Agora estão colocando
em nós a culpa por nosso Estado estar quebrado, em frangalhos, destruído,
falido e, sendo assim, nos está sendo imposta a tarefa de corrigir isso
sobretaxando as contribuições já absurdamente altas e de quebra elevando a
idade para aposentadorias. Como sempre, a coisa causa barulho, mas como todo
barulho em algum momento se dissipa, tudo fica assim mesmo, na mesma. Até daqui
a pouco.
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