BIIIIIIIN
No que o
Marcelo Paiva mandaria às favas eu gostaria de aqui estar a desejar-lhes um
‘feliz ano novo’, 'adeus ano velho, feliz ano novo', mas parece que não vai dar
não, pois o ‘ano feliz’ já se foi há muito e as expectativas se superam ano
após ano, parece praga de mãe, começaram a arrasar nosso país e assim estão,
são pra lá de 500 anos de escravidão e servidão e o mais inacreditável é que
existem os aplausos. Incrível isso! Cadê os cérebros dessas pessoas? Renovando
a barbárie na anunciação da demolição, mas todos insistiram em permanecer em
casa e a casa não ruiu ainda, mas que falta tiquinho; daí começou a devassidão,
foi a avalanche como moto-contínuo, nem tivemos tempo de correr, veio então o
tal ano macabro, sem perspectiva com aquelas promessas risíveis e logo
amanheceu um novo horizonte sombrio e com ele outra chaga quase mortal, pavor
colossal e ignorância dos machões da epopeia que quase nos mata a todos. Passou
aqui, a pátria amada foi cruelmente debochada na data festiva de sua
independência (aquele tal dissociado nem sabe que entramos no ducentenário),
pairou no ar aquele fedor asqueroso com aromas de golpe, era a micareta
golpista e isso não tem graça nem perdão, não terá nem em mil anos, existem os
cem anos de solidão, mas por aqui são cem anos de covardia. Pela baía de
Todos-os-Santos, nossos irmãos agonizando e cidades inteiras sucumbindo
afogadas debaixo das águas turbulentas e barrentas das irresponsabilidades,
enquanto nosso mandrião-mor passeia em plena vadiagem de jet-ski nos mares do
sul quando deveria estar trabalhando, descontem-se, pois, de seus vencimentos e
se pega a moda, nem terá salário, mas eis até que se empanturrasse com
guloseimas sem dietas nem modos, quando do nada ainda surge aquele maldoso de
plantão soprando nos ares: ‘deveria defecar simplesmente assim como o faz pela
boca’. Quanta imaginação!
Na pose
malandra teatralizando de enfermo dodói não convence quase ninguém, salvo
aqueles ali de cima, a plateia alheia, é a fiel turma de cumplices que fazem
sua blindagem, são uns tantos e dizem que não sairão de lá até que transforme
tudo em cinzas e parece que as latrinas já estão abertas e o pavio já arde. Tem
uma adoração quase religiosa pelas redes sócias donde faz uma governança de
aerossol, é o homem-líquido, torcemos então por sua evaporação imediata.
Desses, alguns aguardam a volta do messias (o outro). Frustrem-se. E para
aqueles que almejavam a aparição da besta, de qualquer besta. Lambuzem-se que
junto dele arrasta-se um cordão horripilante de malas, são os moros, os hulks,
as micheles, as reginas e alguns jornalistas bêbados, essa turma embrulha os
espectadores e o estomago de qualquer um. Enquanto isso nessa Terra de Vera
Cruz desmistificada, alguns cérebros férteis estão indo-se, mas nem poderiam
ficar, esses sim, não têm estômagos. Patifaria, ócio, vagabundagem, é a
celebração do caos, a instituição da baderna, a inquisição da bandeira e a
crucificação da constituinte, uma tristeza só, somos órfãos, somos quase
ninguém, e juntem-se a isso uma pandemia que já faz parte da paisagem. Olhamos
sem saber se cremos que ainda temos as águas a nos engolir, as corrupções
disfarçadas de bom moço nos comendo pelas beiradas. E o que será de nós? Deus
parece ter nos esquecido. Não, não esqueceu, só está enjoado e atordoado. Não é
fácil.
Aquele
capataz pusilanimemente se faz de bobo, ou o é, não sabe de nada, não sabe
nada, não pode nada e nem sabe onde está, parece habitar uma república paralela
ilusória em um ufanismo frenético às avessas. Esqueceram de avisá-lo que isto
aqui é um país e não um puteiro. Em eventos mundo afora só anda na
contramão, parece de propósito e é, nem poderia ser diferente, não tem tino
para coisa, enganaram-no na avaliação de capacidade ou sanidade mental. Um
disparate, mas melhor para nós, pois é o voo rasante de satã a nos condenar.
Perdeu-se a compostura ou jamais a teve, não há caráter, mente-se de portas
abertas e janelas escancaradas com preferência em redes sociais, na
virtualidade sempre foi melhor. Uma vergonha. Salve-se quem puder, o piloto
sumiu, o beco não tem saída. Tínhamos um ano inacreditavelmente insano que
parecia não ter um fim, mas teve, e como um cometa desorientado veio outro em
seu lugar apenas confirmando a máxima murphiana. A angustiante peleja que nos
aflige parece infinita. Socorram-nos da contagem regressiva lenta e eterna com
um tiro de misericórdia. Deus não nos esqueceu, então ele que nos
acuda. Felizes anos velhos, sobrevivam-se a 2022. E 2023, 2024,
2025....virão? Sim, virão, mas como? E assim surpreendentemente.
Nenhum comentário:
Postar um comentário